Idosa de Anápolis leva genro e filha à Justiça e consegue medida protetiva após auditoria apontar rombo de R$ 10 milhões no patrimônio dela
Aos 82 anos, viúva afirma que familiares passaram a administrar imóveis, contas e investimentos após a morte do marido. levantamento contábil apresentado à polícia aponta prejuízo milionário

O juiz Renato César Dorta Pinheiro, do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Anápolis, concedeu medidas protetivas de urgência em favor de uma idosa, de 82 anos, que acusa a filha e o genro de terem causado prejuízos milionários ao seu patrimônio.
A decisão foi tomada após pedido encaminhado pela Delegacia Especializada no Atendimento ao Idoso (DEAI), que recebeu denúncias sobre supostas irregularidades envolvendo a administração dos bens da vítima.
Segundo documentos obtidos com exclusividade pelo Portal 6, a mulher ficou viúva em 2017 e, a partir de então, passou a contar com auxílio de familiares para lidar com investimentos, imóveis, recebimento de aluguéis e questões bancárias. Conforme relatado às autoridades, a condução dessas atividades passou a ser exercida pelo casal investigado.
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Auditoria apontou movimentações milionárias
As suspeitas ganharam força após uma auditoria contábil analisar extratos bancários, operações financeiras, empréstimos, investimentos, cartões de crédito e transferências realizadas ao longo dos últimos anos.
O material foi apresentado à Polícia Civil (PC) junto com planilhas e documentos que apontariam movimentações incompatíveis com os interesses da vítima e prejuízos que ultrapassariam R$ 10 milhões.
Entre os valores analisados estão transferências para contas pessoais, empresas ligadas aos investigados, utilização de cartões de crédito, emissão de cheques, operações financeiras e negociações imobiliárias.
Loteamento investigado, veículos de luxo e patrimônio no exterior
Um dos principais pontos da denúncia envolve a compra de 25 lotes em Itaberaí. Segundo o relato apresentado à PC, a idosa transferiu R$ 1,5 milhão acreditando estar realizando um investimento imobiliário vantajoso. Posteriormente, porém, teria encontrado dificuldades para regularizar a documentação dos imóveis.
Os lotes estão vinculados à Garra Empreendimentos, empresa que vem sendo alvo de questionamentos públicos nas últimas semanas. O empreendimento Jardim Paraíso, ligado à companhia, tornou-se tema de manifestações de associados nas redes sociais. Segundo relatos divulgados por moradores e investidores, mais de 1,2 mil famílias cobram esclarecimentos sobre obras, infraestrutura prometida e garantias apresentadas para a conclusão do loteamento.
A situação também passou a ser acompanhada por órgãos públicos e integra discussões judiciais e administrativas relacionadas ao empreendimento.
A denúncia apresentada à PC ainda menciona a aquisição de veículos de alto padrão avaliados em mais de R$ 1,8 milhão, além da existência de patrimônio e vínculos em Portugal que deverão ser analisados durante as investigações.
Restrições da Justiça
Ao analisar o caso, o magistrado entendeu que havia elementos suficientes para justificar a concessão das medidas protetivas, destacando a necessidade de preservar a integridade física, psicológica e patrimonial da idosa.
A decisão determina que os investigados mantenham distância mínima de 300 metros da vítima, familiares e testemunhas. Também foi proibido qualquer contato por telefone, mensagens, redes sociais ou outros meios de comunicação.
Eles ainda não poderão frequentar locais habitualmente frequentados pela denunciante.
Além das medidas protetivas, a decisão judicial prevê providências relacionadas à localização de uma arma de fogo que, segundo os autos, pertenceria ao falecido marido da vítima.
Paralelamente, a PC continua investigando as denúncias envolvendo supostos crimes patrimoniais, movimentações financeiras, negociações imobiliárias e outros fatos relatados nos documentos apresentados pela idosa. Até o momento, não há condenação relacionada ao caso.
O Portal 6 entrou em contato com a empresa citada na reportagem para que se manifestem sobre as acusações. O espaço permanece aberto para posicionamentos.
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