Estado monitora presença da rã-touro, espécie invasora e de grande capacidade predatória originária de continente vizinho

Espécie invasora, predadora e de rápida reprodução acende alerta ambiental após ser encontrada em área urbana

Gabriel Dias Gabriel Dias -
Estado monitora presença da rã-touro, espécie invasora e de grande capacidade predatória originária de continente vizinho
(Imagem: Captura de tela/YouTube/Só bichos)

Um som diferente vindo de áreas úmidas pode parecer apenas mais um ruído da natureza. No entanto, quando ele lembra o mugido de um touro, o alerta precisa ser maior. Isso porque uma espécie invasora, conhecida pelo apetite voraz e pela rápida reprodução, passou a ser monitorada por órgãos ambientais.

A rã-touro, originária da América do Norte, preocupa especialistas por se alimentar de praticamente qualquer animal menor que ela. Peixes, lagostins, pequenos mamíferos e até outros anfíbios podem fazer parte da dieta. Em alguns casos, o canibalismo representa grande parte da alimentação da espécie.

O monitoramento ocorre em Florianópolis, capital de Santa Catarina, onde a presença da rã-touro foi registrada oficialmente pela primeira vez no bairro Ratones, em outubro de 2025. Desde então, a Fundação Municipal do Meio Ambiente, em parceria com especialistas da UFSC, Ibama e ICMBio, iniciou ações de mapeamento, captura e controle.

A espécie foi trazida ao Brasil em 1935 para criação em ranários e comércio de carne. Com o fechamento de muitos criadouros ao longo dos anos, escapes e solturas contribuíram para que o animal se espalhasse por diferentes regiões.

No fim do ano passado, 11 rãs-touro foram capturadas em Ratones, entre juvenis e adultos. Já no monitoramento mais recente, realizado em março de 2026, apenas um indivíduo foi encontrado.

Mesmo assim, a preocupação continua. Segundo os órgãos ambientais, a espécie pode se tornar dominante nos locais onde se instala, causando o declínio de anfíbios nativos e disputando espaço nos habitats naturais.

Outro ponto de atenção é o risco de transmissão de doenças que afetam anfíbios e peixes, como ranavírus e quitridiomicose. Por isso, os animais capturados são encaminhados para análises no Laboratório de Herpetologia da UFSC.

A orientação é que moradores não tentem capturar ou manejar o animal por conta própria. Em caso de avistamento ou identificação do som da rã-touro, a recomendação é comunicar a Floram pelos canais oficiais.

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Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Telejornalismo e Jornalismo Cultural.

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