Por que o pequi tem espinho por dentro: o fruto goiano que muita gente ama
Característica que exige cuidado na hora de comer tem uma função importante para a sobrevivência da espécie no Cerrado

Quem nasceu em Goiás ou já visitou o estado provavelmente ouviu o mesmo conselho mais de uma vez: pequi não se morde.
O alerta pode parecer exagerado para quem nunca teve contato com o fruto. No entanto, basta uma tentativa descuidada para entender o motivo. Escondidos sob a polpa amarela e aromática, milhares de pequenos espinhos transformam a degustação em uma experiência que exige atenção.
Apesar da fama, pouca gente sabe por que o pequi desenvolveu essa característica tão peculiar.
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Por que o pequi tem espinhos?
Os espinhos fazem parte da estratégia natural de proteção da espécie. O pequi, fruto do pequizeiro (Caryocar brasiliense), evoluiu no Cerrado brasileiro, um dos biomas mais ricos e desafiadores do planeta.
Nesse ambiente, diversas espécies de animais se alimentam de frutos e sementes. Por isso, ao longo da evolução, o pequi desenvolveu uma barreira capaz de proteger sua parte mais importante: a castanha localizada no interior do caroço.
Os espinhos dificultam que animais mastiguem completamente o núcleo do fruto. Dessa forma, aumentam as chances de a semente permanecer intacta e gerar novas plantas.
Por que a polpa pode ser comida?
A parte amarela do pequi fica ao redor do caroço espinhoso. É justamente essa polpa que concentra o sabor marcante e o aroma característico tão apreciado na culinária goiana.
Por isso, a maneira correta de consumir o fruto é raspar delicadamente a polpa com os dentes, sem morder o caroço.
Quem ignora essa recomendação corre o risco de ter contato direto com os espinhos, que podem causar ferimentos dolorosos na boca, língua, gengiva e garganta.
O fruto que virou símbolo de Goiás
Muito além da curiosidade biológica, o pequi se tornou um dos maiores símbolos culturais do estado.
Ele aparece em receitas tradicionais como arroz com pequi, galinhada, empadões, conservas, molhos e licores. Além disso, movimenta a economia de diversas cidades durante o período de safra.
O fruto também desperta paixões. Enquanto muitas pessoas consideram seu aroma irresistível, outras acham o cheiro forte demais. Essa divisão ajudou a criar a fama de que o pequi é um alimento que se ama ou se odeia.
Benefícios do pequi
Além do valor cultural, o pequi também chama atenção pelas propriedades nutricionais.
A polpa é rica em carotenoides, compostos responsáveis pela coloração amarela intensa. Ela também contém vitamina A, vitamina C, fibras e gorduras consideradas benéficas para o organismo.
Por isso, pesquisadores estudam há anos o potencial do fruto em áreas relacionadas à alimentação e à valorização da biodiversidade do Cerrado.
Quando acontece a safra
A colheita do pequi geralmente ocorre entre os meses de outubro e fevereiro, embora o período possa variar conforme a região e as condições climáticas.
Durante essa época, feiras, mercados e estradas do interior goiano recebem grande quantidade do fruto, atraindo moradores e turistas interessados em experimentar uma das maiores tradições gastronômicas do estado.
Assim, o espinho que assusta tanta gente acaba cumprindo uma missão importante. Afinal, ele ajuda a proteger a semente que garante a continuidade de um dos frutos mais emblemáticos do Cerrado brasileiro.
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