Por que cada vez mais homens estão desistindo de procurar emprego, e economistas dizem que a explicação começa ainda na infância
Estudo aponta que meninos expostos a baixos salários e desemprego entre homens próximos podem crescer com expectativas mais pessimistas sobre o valor do trabalho

A saída de homens do mercado de trabalho tem intrigado economistas há décadas. Nos Estados Unidos, a taxa de participação masculina na força de trabalho vem caindo de forma consistente, mesmo em períodos de crescimento econômico.
Um estudo recente dos economistas Remy Levin e Daniela Vidart, da Universidade de Connecticut, trouxe uma explicação que vai além da falta de vagas ou das mudanças tecnológicas. Segundo os pesquisadores, parte desse movimento começa ainda na infância.
A ideia central é que meninos formam expectativas sobre o próprio futuro ao observar os homens ao redor. Quando crescem em ambientes marcados por salários baixos, desemprego frequente e pouca estabilidade, muitos passam a enxergar o trabalho como uma promessa fraca de recompensa.
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Com o tempo, essa percepção pode reduzir o interesse em participar do mercado de trabalho na vida adulta. Assim, uma crise econômica local ou uma fase de baixa demanda por mão de obra pode deixar efeitos duradouros sobre uma geração inteira.
O peso das experiências da infância
De acordo com os pesquisadores, o ambiente vivido nos anos de formação pesa mais do que as condições econômicas observadas na vida adulta. Isso significa que a criança que cresce vendo pais, vizinhos ou homens da comunidade enfrentando dificuldades pode internalizar a ideia de que trabalhar não garante avanço social.
Além disso, o estudo aponta que esse efeito permanece mesmo quando o homem se muda para outro estado. Ou seja, as experiências iniciais continuam influenciando decisões futuras.
Outras pesquisas já associaram a queda da participação masculina a fatores como perda de empregos na construção civil, avanço da tecnologia, aumento da desigualdade salarial, problemas de saúde, deficiência, escolarização e até mudanças de prioridades após a pandemia.
No entanto, a nova leitura chama atenção por destacar a formação das crenças. Para os economistas, não basta criar vagas. Também é preciso reconstruir a confiança de que o trabalho pode gerar estabilidade, renda e perspectiva de futuro.
A discussão ganha força porque a saída de homens do mercado de trabalho afeta famílias, comunidades e a economia como um todo. Quando parte da população deixa de procurar emprego, o problema deixa de ser apenas individual e passa a refletir um desafio social mais amplo.
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