Kassab será vice de Caiado em chapa pura do PSD à Presidência da República
Presidente nacional do PSD foi escolhido para compor a chapa presidencial, em movimento que busca fortalecer a campanha do partido

JULIANA ARREGUY E MARIANA GRASSO – SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab será o candidato a vice de Ronaldo Caiado na disputa à Presidência da República.
A decisão será anunciada nesta quarta-feira (1º) durante evento em Brasília. A informação foi antecipada pelo jornal O Globo e confirmada pela Folha. Com isso, o PSD seguirá para as eleições presidenciais com uma chapa pura, ou seja, formada apenas por quadros do partido.
Caiado foi questionado sobre o vice, nesta terça (30), mas evitou confirmar a indicação de Kassab. Ele disse a jornalistas, após um encontro com investidores em São Paulo, que o nome escolhido possui “estatura para estar ali auxiliando a governabilidade” e que a ideia era indicar “alguém que acrescente, e não uma pessoa que seja figurativa”.
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“No momento em que a população enxerga uma chapa já construída e apresentando o que deveria apresentar, que são os temas do nosso plano de governo, as pessoas vão vendo que não estamos fazendo um projeto político na base do achismo”, disse Caiado.
O ex-governador acrescentou que o seu vice servirá para “ampliar apoios”. Para integrantes do PSD, a escolha de Kassab visa garantir, também, apoio interno e de forma explícita de outros quadros do partido.
Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, por exemplo, não fez grandes defesas públicas de seu colega na disputa. Ele havia se colocado à disposição para ser o presidenciável do PSD e, depois de preterido, chegou a criticar a escolha do correligionário mais tarde, Leite pediu desculpas pelas críticas.
O senador Otto Alencar (PSD-BA), um dos principais líderes do partido na Bahia, já disse publicamente que, no estado, a sigla deve apoiar a reeleição do presidente Lula (PT) e a do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Caiado registrou 3% de intenções de voto na última pesquisa Datafolha. Lula ficou com 41%, seguido de Flávio Bolsonaro (PL), 31%, Renan Santos (Missão), 3%, Romeu Zema (Novo), 2%, Aécio Neves (PSDB), 2%, Samara Martins (UP), 2%, Augusto Cury (Avante), 2%, Joaquim Barbosa (DC), 1%, Cabo Daciolo (Mobiliza), 1%, e Rui Costa Pimenta (PCO), 1%.
Questionado sobre as pesquisas mais recentes, que mostram a sua candidatura estagnada em patamares mais baixos, Caiado minimizou os números e disse que o cenário político deve ganhar fôlego após o fim da Copa do Mundo.
“Ontem, na hora em que expulsaram o Martinelli da seleção [brasileira de futebol], você também não aceitou bem, e nem eu, na verdade. Então, cada um no seu quadrado. Quer dizer, a nossa chapa, a gente também sabe escalar”, brincou Caiado.
Apesar da tentativa de analogia futebolística, o atacante Gabriel Martinelli não foi cortado do jogo desta segunda-feira (29) contra o Japão. Ele saiu do banco aos 21 minutos do segundo tempo, em meio a questionamentos de parte da torcida sobre sua entrada no jogo, para marcar o gol que garantiu a classificação do Brasil por 2 a 1 no mata-mata.
CHAPA PURA
Há um mês, Kassab havia publicado nas redes sociais que se colocava à disposição do partido para ser o vice de Caiado. Ele disse, na ocasião, que a ideia partiu de dois quadros históricos do PSD, os ex-senadores Heráclito Fortes que preside o conselho político do partido e Jorge Bornhausen.
“Mesmo já tendo afirmado que uma candidatura chapa pura pode ser uma hipótese concreta, entendo que muitas etapas e entendimentos precisam ser cumpridos, dentro e fora do nosso partido, até que seja tomada uma decisão sobre o perfil da nossa chapa”, disse Kassab em publicação do Instagram no dia 30 de maio.
Kassab adotava cautela ao falar sobre a vice porque ainda tentava atrair outro partido para a chapa. A aliados ele argumentava que agregar outras siglas poderia conferir maior capital político e relevância à disputa, além de maior tempo de propagandas no rádio e na TV e de uso do fundo eleitoral na campanha.
Uma das conversas era justamente com o ex-governador mineiro Romeu Zema, para tentar unir as candidaturas ainda no primeiro turno das eleições, já que ambos estão distantes de Lula e de Flávio nas pesquisas de intenção de voto.
Eles se reuniram ao final de março para discutir, mas a ideia não foi adiante porque nem Caiado nem Zema acabaram aceitando a ideia de serem vices, segundo auxiliares de ambos os pré-candidatos.
O presidente do PSD também sinalizou interesse em atrair a federação formada por União Brasil e PP, que apresenta divergências internas sobre apoiar, ou não, Flávio nestas eleições. Sem conseguir uma definição dos partidos, decidiu seguir com a chapa pura.
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