Após 1.600 anos submersos, arqueólogos resgatam 22 blocos de até 80 toneladas de uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo

Peças monumentais retiradas do Mediterrâneo vão ajudar pesquisadores a reconstruir digitalmente uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo

Gustavo de Souza -
Após 1.600 anos submersos, arqueólogos resgatam 22 blocos de até 80 toneladas de uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo
(Imagem: Ilustração/Gerada por IA)

Blocos gigantes que ficaram escondidos por séculos no fundo do mar voltaram à superfície no Egito e podem ajudar a revelar uma das construções mais famosas da Antiguidade.

Arqueólogos retiraram do porto oriental de Alexandria 22 peças monumentais associadas ao antigo Farol de Alexandria, considerado uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.

Segundo a Fundação Dassault Systèmes, que participa do Projeto PHAROS, a operação reuniu pesquisadores para estudar, escanear e reconstruir digitalmente partes da estrutura que guiou navegadores por séculos.

Blocos ficaram preservados no fundo do mar

O Farol de Alexandria foi construído no início do século III a.C., na ilha de Faros, durante o período ptolomaico.

Por quase 1.600 anos, a estrutura serviu como referência para embarcações que chegavam a um dos portos mais movimentados do mundo antigo.

Com o passar dos séculos, terremotos danificaram a construção até que parte da estrutura desabou e acabou submersa no Mediterrâneo.

Esses escombros permaneceram no fundo do mar, onde parte dos fragmentos ficou preservada sob as águas de Alexandria.

Peças podem ter feito parte da entrada do farol

Entre os materiais retirados estão lintéis, jambas, soleiras, grandes lajes de base e blocos ligados a um pílone com porta em estilo egípcio.

Algumas dessas peças impressionam pelo tamanho. De acordo com o comunicado do projeto, certos blocos chegam a pesar entre 70 e 80 toneladas.

A descoberta chama atenção porque os fragmentos podem ter pertencido à entrada monumental do Farol de Alexandria.

Marcas de corte, encaixes e proporções das pedras podem ajudar os pesquisadores a entender como os antigos engenheiros ergueram uma estrutura tão alta e resistente.

Reconstrução será feita em ambiente digital

A retirada das peças faz parte do Projeto PHAROS, que reúne pesquisadores do CNRS, do Centre d’Études Alexandrines, do Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito e da Fundação Dassault Systèmes.

O objetivo não é reconstruir fisicamente o farol no local original.

As peças serão escaneadas em terra e usadas em uma réplica digital, criada a partir dos fragmentos arqueológicos encontrados no porto oriental de Alexandria.

Esse modelo virtual deve permitir que pesquisadores testem hipóteses sobre o desenho original da construção, sua entrada monumental e a forma como o farol pode ter desabado.

Uma das maravilhas mais famosas da Antiguidade

O Farol de Alexandria foi uma das obras mais impressionantes do mundo antigo.

Além de orientar navios, ele se tornou símbolo da cidade egípcia e da engenharia helenística.

Com o tempo, terremotos sucessivos enfraqueceram a estrutura. No século XIV, o monumento já havia perdido grande parte da sua forma original.

Hoje, o que restou está espalhado entre ruínas submersas e fragmentos reutilizados ao longo da história.

Achado ajuda a preencher lacunas históricas

Os blocos recuperados podem oferecer pistas que os registros antigos não preservaram.

Ao analisar tamanho, encaixes, cortes e posição original das peças, os arqueólogos conseguem aproximar a reconstrução digital da estrutura real.

Isso é importante porque muitas representações do Farol de Alexandria ainda dependem de relatos antigos, moedas, descrições históricas e hipóteses arquitetônicas.

Com os novos fragmentos, os pesquisadores ganham dados físicos para comparar essas teorias.

Peças devem voltar ao fundo do mar

Depois dos estudos e escaneamentos, os blocos devem retornar ao fundo do mar.

A medida ajuda a preservar o sítio arqueológico original e evita a remoção definitiva de peças que fazem parte do patrimônio subaquático de Alexandria.

Enquanto isso, a versão digital deve permitir que o público conheça melhor a antiga maravilha sem comprometer a preservação dos fragmentos.

No fim, os blocos retirados do Mediterrâneo não reconstruirão o Farol de Alexandria em pedra. Mas podem devolver, em detalhes digitais, parte da forma perdida de uma das construções mais famosas da história.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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