Demitida após a licença-maternidade, ela começou com R$ 20 e hoje produz 5 toneladas de doces por mês em Minas Gerais

Depois de perder a renda fixa, Maria José transformou uma receita caseira em fábrica de doces, loja própria e marca conhecida no Sudeste

Gustavo de Souza -
Demitida após a licença-maternidade, ela começou com R$ 20 e hoje produz 5 toneladas de doces por mês em Minas Gerais
(Foto: Divulgação/Mazé Doces)

A demissão após a licença-maternidade poderia ter encerrado um ciclo de estabilidade para Maria José de Lima Freitas. Mas, em Carmópolis de Minas, no Centro-Oeste mineiro, a perda do emprego abriu caminho para a criação de uma marca que hoje é referência em doces artesanais.

Conhecida como Mazé, ela trabalhava na limpeza de uma cooperativa de crédito quando foi desligada. Sem renda fixa e com filhos para sustentar, decidiu testar uma receita simples, feita com leite comprado fiado e um tacho emprestado.

A primeira venda rendeu cerca de R$ 20. Parte do dinheiro foi usada para comprar comida, e o restante voltou para novos ingredientes.

Da cozinha de casa à fábrica

A relação com os doces vinha da infância no campo, quando Mazé ajudava em preparos com frutas e açúcar. O conhecimento caseiro, porém, precisou ganhar técnica para virar negócio.

A virada começou quando uma lanchonete da cidade pediu doces cristalizados. Ela ainda não dominava a receita, buscou ajuda, errou no início e ouviu críticas, mas decidiu se capacitar.

Segundo a Universa, Mazé procurou cursos, reinvestiu o que ganhava e buscou orientação do Sebrae. A empreendedora também voltou a estudar e passou a tratar a produção como uma empresa, não apenas como renda emergencial.

Crescimento com gestão

Em 2003, contratou a primeira funcionária. Dois anos depois, registrou formalmente a empresa, comprou um terreno e montou a fábrica da Mazé Doces em Carmópolis.

A loja própria veio em 2007, ampliando o catálogo com compotas, geleias, doces em barra e cristalizados. Ao todo, a marca chegou a cerca de 70 variações.

A produção, que começou em pequena escala, passou a alcançar de três a cinco toneladas por mês, com distribuição no Sudeste e 21 funcionários. A trajetória mostra que a receita foi apenas o começo: o crescimento veio com aprendizado, gestão e persistência.

Veja abaixo um vídeo da própria Mazé contando a história de seu negócio:

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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