Fim de uma era: fábrica de tênis da Nike, Adidas e Fila que produzia até 22 mil pares por dia fecha após quase 20 anos
Trajetória marcada por expansão, retomadas e cortes ajuda a explicar o impacto deixado na indústria e na economia de Eldorado

Durante quase duas décadas, o som das máquinas acompanhou a expansão e as sucessivas crises de uma das maiores operações calçadistas de Eldorado, na província argentina de Misiones. A unidade da fábrica começou com poucos funcionários e chegou a movimentar três turnos de trabalho.
O ciclo terminou em 17 de julho de 2026, quando a fábrica do Grupo Dass encerrou definitivamente as atividades. A planta produziu, ao longo da trajetória, calçados para marcas como Nike, Adidas, Fila, Umbro e Asics. Cerca de 150 trabalhadores permaneciam no local no momento do fechamento.
Do auge ao esvaziamento
A fábrica iniciou as operações em 2007 e alcançou o ponto mais alto por volta de 2015. Naquele período, empregava cerca de 1,5 mil pessoas e fabricava até 22 mil pares de tênis por dia, distribuídos em três turnos.
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O cenário começou a mudar entre 2018 e 2019, com redução de pedidos, cortes de pessoal e programas de desligamento. Em 2021, houve uma tentativa de retomada: um comunicado do governo argentino registrou a reabertura de duas linhas da Nike, a criação de 80 vagas e uma produção diária de 6,7 mil pares.
A recuperação, porém, não se sustentou. Em janeiro de 2025, a Dass fechou a unidade de Coronel Suárez, que produzia calçados Adidas, e concentrou a operação industrial argentina em Eldorado. No início de 2026, novos desligamentos e encomendas garantidas somente até junho já indicavam o agravamento da crise.
Importações no centro do debate
Representantes do sindicato Uticra atribuíram o fechamento à abertura das importações, à queda do consumo e à falta de políticas de apoio à indústria. Fontes ligadas à empresa também afirmaram à imprensa argentina que importar calçados prontos havia se tornado mais vantajoso do que fabricá-los no país.
Em março de 2025, o governo argentino reduziu de 35% para 20% a tarifa de importação de roupas e calçados vindos de fora do Mercosul. A medida, sozinha, não comprova a causa do encerramento, mas passou a integrar o debate sobre a perda de competitividade da produção local.
Segundo a imprensa argentina, os funcionários receberiam integralmente as indenizações. O grupo deverá manter atividades comerciais e logísticas no país, mas o fechamento da unidade encerrou sua produção de calçados na Argentina.
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