Durante missa, Padre Robson cita ‘ganância’ e ‘inveja’ como motivos para saída de Trindade
Ex-reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, o sacerdote se afastou de Goiás desde a investigação feita em meio à Operação Vendilhões

O padre Robson de Oliveira afirmou, durante uma missa celebrada na Diocese de Mogi das Cruzes, que deixou Trindade em meio a um período de “tormentas”.
Em vídeo gravado durante a missa e que circula pelas redes sociais, o padre também citou “ganância” e “inveja” como fatores que motivaram o afastamento dele de Goiás, mas sem citar nomes.
Ex-reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, em Trindade, Padre Robson foi o fundador e presidente da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe). Ele foi afastado do sacerdócio após a Operação Vendilhões, de agosto de 2020.
Na operação, o Ministério Público de Goiás (MPGO) apurou supostos desvios de doações de fiéis da Afipe, com suspeitas de apropriação indébita, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
Ao falar aos fiéis, o sacerdote relembrou os acontecimentos e disse que enfrentou um período de intenso sofrimento. “Eu sofri um tempo de muita tormenta na minha vida. E vocês sabem muito bem disso”, afirmou.
Robson também comentou sobre as reações que recebeu durante aquele período. Segundo o padre, ele chegou a ouvir manifestações de pena por parte de outras pessoas.
“Alguém falou assim: ‘Coitado desse padre, eu tenho muita dó dele’. Eu nunca tinha ouvido isso na minha vida. Aliás, escutei muita coisa que eu nunca tinha ouvido”, declarou. Em seguida, explicou por que não participa, neste ano, da Festa do Divino Pai Eterno, em Trindade.
“Hoje eu não estou lá em Trindade celebrando a festa do Divino Pai Eterno. Não é porque eu quero, não é porque eu escolhi esse caminho”, disse o padre durante a homilia.
Na sequência, fez a afirmação mais direta sobre os motivos que, segundo ele, levaram à saída. “Foi porque houve tormentas pesadas na minha vida. Ganância, inveja e tanta coisa me tiraram de lá”, afirmou.
Apesar das referências ao período, Padre Robson também dedicou parte da reflexão à Festa do Divino Pai Eterno e aos romeiros que participam da celebração. Ele destacou o carinho que mantém pela cidade onde construiu a maior parte do sacerdócio.
“Eu sou trindadense. Adoro aquela cidade, amo. Cresci subindo aquela ladeira do santuário, quando ainda nem tinha asfalto ali”, afirmou.
Fim das investigações e retorno à Igreja
Após recursos e batalhas judiciais, a defesa do sacerdote obteve decisões favoráveis na Justiça. O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) determinou o trancamento das investigações por entender que os crimes apontados não estavam configurados.
Em 2022, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) arquivou o processo em definitivo, transitado em julgado.
Posteriormente, o Supremo Tribunal Federal (STF) manteve o arquivamento das ações criminais e cíveis associadas ao caso, confirmando a decisão de que o processo estava encerrado.
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