Ministério Público pede que Polícia Civil localize e intime Vanessa Marega, suspeita de calote milionário em Anápolis
Empresária ganhou notoriedade ao anunciar eletrodomésticos e eletrônicos com descontos muito abaixo do mercado, atraindo centenas de consumidores

O Ministério Público de Goiás (MPGO) solicitou à Polícia Civil (PC) o cumprimento de diligências pendentes em um dos inquéritos que apura denúncias de estelionato envolvendo Vanessa Marega, empresária de Anápolis que responde a, pelo menos, 31 ações judiciais.
Conforme documento obtido pelo Portal 6 e encaminhado à Justiça nesta quinta-feira (28), a promotora Priscila Leão Tuma Oltramari informou que aguarda a conclusão das investigações por parte da PC, observando que algumas medidas ainda precisam ser realizadas.
Entre as diligências apontadas estão a localização e a intimação para interrogatório de Vanessa Marega, além da inclusão de informações necessárias para o prosseguimento da apuração.
Neste inquérito específico, a investigação apura denúncias de duas vítimas que afirmam ter comprado produtos da empresária, mas não receberam as mercadorias. O procedimento foi instaurado em 23 de março e tinha previsão inicial de conclusão até 23 de abril.
Apesar do prazo já ter sido ultrapassado, a promotora sinalizou que aguarda a finalização dos trabalhos, considerando a realidade enfrentada pelas delegacias.
“É de conhecimento público a realidade das delegacias, em relação ao quantitativo de inquéritos em trâmite e o número de servidores disponíveis, […] razão pela qual o Ministério Público aguarda a conclusão da investigação e a remessa do inquérito relatado”, destacou Priscila Leão Tuma Oltramari em documento obtido pelo Portal 6.
Calote de R$ 2 milhões
Conforme reportagens publicadas pelo Portal 6 desde o mês de março, a empresária Vanessa Marega teria aplicado golpes em centenas de vítimas e desaparecido sem dar satisfação.
Ela atraiu grande atenção e clientela em Anápolis ao fazer promoções de eletrodomésticos e eletrônicos com descontos que beiravam o absurdo. Por exemplo, celulares iPhones eram vendidos com até 70% de desconto.
Segundo relatos de consumidores, os pagamentos eram realizados principalmente via Pix após negociações em grupos de WhatsApp e redes sociais.
Muitas vítimas afirmam, no entanto, que nunca receberam os produtos adquiridos. Nos grupos organizados por consumidores, o prejuízo relatado ultrapassa a marca de R$ 2 milhões.
Levantamento feito pelo Portal 6 junto ao sistema Projudi, do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), encontrou dezenas de processos protocolados por consumidores que alegam prejuízos após pagamentos pelos produtos.
As ações incluem pedidos de ressarcimento, devolução de valores, danos materiais, danos morais, rescisão de contrato e até bloqueio de contas bancárias. Procurada pela reportagem, Vanessa Marega não retornou os contatos.
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