Delegado Manoel Vanderic revela diagnóstico de autismo e relata: “não tinha o parâmetro do que é viver sem dor”
Titular da DEAI e da DICT de Anápolis explicou consequências sentidas ao longo da vida e detalhou tentativa de auto-extermínio após crise sofrida durante madrugada

Titular das Delegacias de Investigação de Crimes de Trânsito (DICT), de Proteção à Pessoa com Deficiência (DEPD) e Especializada no Atendimento ao Idoso (DEAI) de Anápolis, o delegado Manoel Vanderic abriu o coração ao compartilhar que foi diagnosticado com autismo.
A declaração foi feita neste domingo (05), por meio de um vídeo publicado no Instagram, onde Vanderic explicou que só descobriu a condição aos 42 anos, depois de vários diagnósticos falsos.
Ele relatou que as consequências deixadas pelo transtorno chegaram ao ápice no início de 2025. “Tive uma tentativa de auto-extermínio após quase dois meses sem praticamente conseguir dormir. Tomei quase todos os remédios que eu tinha”, revelou.
- Goiás acerta venda de naming rights do Estádio da Serrinha e deve receber R$ 90 milhões até 2030
- Dentista goiano que correu São Silvestre fantasiado por 20 anos promove Corrida da Fantasia em Goiânia; veja como se inscrever
- Transporte coletivo de Anápolis ganha isenção de imposto sobre diesel após novo decreto
Ao perceber o ocorrido, o delegado ligou para um amigo neuropsiquiatra, que o socorreu durante a madrugada. “Se não fosse ele, eu não estaria aqui”, compartilhou. Depois disso, Vanderic passou a ter consultas com uma neuropsicóloga, que apontou o transtorno.
“Quando a gente vive muito tempo com dor, com sofrimento, com uma dificuldade, a gente não tem uma referência do que é ser normal. Então eu não tinha o parâmetro, o repertório, do que é viver sem dor, sem problema, ansiedade e insônia”, explicou.
Impactos no cotidiano
O delegado contou que o autismo, no caso dele, foi acompanhado de uma série de problemas gástricos, como gastrite, intolerâncias, refluxo e “queimação”. Também mencionou dores crônicas na coluna, por conta do excesso de ansiedade.
Ele relatou dificuldades com interpretação de emoções, questões neurológicas e ortopédicas, esta última acarretando diversas lesões ao tentar praticar esportes ao longo da vida.
Vanderic tentou explicar com duas analogias, a primeira usando os sistemas operacionais do iPhone e do Samsung: “a maioria das pessoas é iOS, e o autista é Android. É uma programação, uma percepção de mundo, completamente diferente”. “Diz-se que a pessoa geralmente tem uma entrada USB no cérebro, e o autista tem mais de 60”, afirmou.
O delegado deixou alertas sobre as consequências causadas pela falta de diagnóstico, o aumento nos índices de suicídio e tentativas de auto-extermínio (que diz ser nove vezes maior que na população em geral) e a diminuição na expectativa de vida (de 20 a 30 anos menor), além do índice de desemprego.
Também mencionou a falta de profissionais qualificados na rede pública de saúde e o alto custo do tratamento pela rede privada. Ainda apontou a exaustão sentida pelas mães de autistas, que se tornam as principais cuidadoras dos filhos, o que exemplificou com uma situação vivida na DEAI.
“Há poucos anos na Delegacia do Idoso, acompanhamos a dona Neemisa, uma idosa que era deficiente física e mãe e cuidadora do Marcos, filho com autismo severo”, começou.
“Dona Neemisa morreu em casa, foi encontrada três dias depois, o Marcos estava deitado do lado dela. Como não há nenhum parente apto que assumiu os cuidados, hoje ele é um morador de rua, que come lixo, não toma banho e não é medicado. Isso revela o quanto o Poder Público é omisso em relação aos autistas e às mães”, defendeu.
Exposição
Quanto à publicação de um vídeo explicando a condição, Vanderic afirmou que “a decisão de me expor como autista não é uma escolha, mas uma necessidade de me proteger e explicar meu comportamento. Percebi ser impossível conquistar respeito e ajuda sem expor a minha realidade para as pessoas”.
Assista:
Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!






