Aos 18 anos, ela transformou cascas de fruta-pinha jogadas fora em um material capaz de reduzir a toxicidade de resíduos e evitar contaminação
Projeto criado por estudante pernambucana usa matéria-prima de baixo custo para tratar a manipueira descartada durante a produção de farinha de mandioca

Uma jovem de 18 anos transformou cascas de fruta-pinha, normalmente descartadas, em uma solução capaz de reduzir a toxicidade de um resíduo gerado na produção de farinha de mandioca.
Beatriz Vitória da Silva vive em uma comunidade quilombola de Carnaíba, em Pernambuco, e conhecia de perto os impactos causados pela manipueira, líquido liberado durante o processamento da mandioca.
Por isso, ao lado de outros estudantes da Escola Técnica Estadual Professor Paulo Freire, ela ajudou a desenvolver o FiltroPinha, sistema de baixo custo que utiliza as cascas da fruta para tratar esse resíduo antes do descarte.
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Problema atravessava gerações
A manipueira pode provocar danos ambientais quando chega ao solo ou à água sem tratamento adequado.
Além disso, o descarte incorreto representa um problema para comunidades que concentram casas de farinha e dependem dessa atividade para gerar trabalho e renda.
Ao observar essa realidade, Beatriz e os colegas decidiram procurar um material acessível e disponível na própria região.
Assim, o grupo reuniu dois desafios em uma única pesquisa: a poluição causada pela produção de farinha e o desperdício de resíduos orgânicos.
Cascas viraram matéria-prima
O projeto utiliza cascas de fruta-pinha para produzir um filtro capaz de reduzir a toxicidade da manipueira.
Dessa forma, um material que iria para o lixo ganha nova função e ajuda a diminuir os riscos do descarte do líquido.
Além disso, o baixo custo da matéria-prima pode facilitar a adoção da solução em comunidades rurais e casas de farinha que não dispõem de sistemas complexos de tratamento.
Ciência nasceu dentro da comunidade
Beatriz desenvolveu a pesquisa com outros três estudantes, sendo que dois integrantes do grupo também vivem no quilombo.
O trabalho surgiu nas atividades científicas da escola, com orientação de professores e apoio do programa Mais Ciência na Escola.
Segundo a estudante, perceber que a pesquisa poderia contribuir diretamente com a comunidade tornou o projeto ainda mais importante.
“A ciência pode nascer do simples. Essa é uma conquista do grupo e da nossa sociedade”, afirmou.
Projeto recebeu prêmio nacional
O FiltroPinha conquistou o segundo lugar na categoria Ensino Médio do Prêmio Jovem Cientista.
A edição premiou projetos relacionados às mudanças climáticas e ao uso da ciência, tecnologia e inovação para enfrentar problemas ambientais.
Com isso, Beatriz mostrou que soluções relevantes não precisam nascer apenas em grandes laboratórios. Muitas vezes, elas começam com a observação de um problema cotidiano e com o aproveitamento inteligente de materiais disponíveis na própria comunidade.
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