Aos 18 anos, ela transformou cascas de fruta-pinha jogadas fora em um material capaz de reduzir a toxicidade de resíduos e evitar contaminação

Projeto criado por estudante pernambucana usa matéria-prima de baixo custo para tratar a manipueira descartada durante a produção de farinha de mandioca

Gabriel Yure Gabriel Yuri Souto -
filtro com casca de fruta-pinha
(Foto: Luara Baggi/ASCOM/MCTI)

Uma jovem de 18 anos transformou cascas de fruta-pinha, normalmente descartadas, em uma solução capaz de reduzir a toxicidade de um resíduo gerado na produção de farinha de mandioca.

Beatriz Vitória da Silva vive em uma comunidade quilombola de Carnaíba, em Pernambuco, e conhecia de perto os impactos causados pela manipueira, líquido liberado durante o processamento da mandioca.

Por isso, ao lado de outros estudantes da Escola Técnica Estadual Professor Paulo Freire, ela ajudou a desenvolver o FiltroPinha, sistema de baixo custo que utiliza as cascas da fruta para tratar esse resíduo antes do descarte.

Problema atravessava gerações

A manipueira pode provocar danos ambientais quando chega ao solo ou à água sem tratamento adequado.

Além disso, o descarte incorreto representa um problema para comunidades que concentram casas de farinha e dependem dessa atividade para gerar trabalho e renda.

Ao observar essa realidade, Beatriz e os colegas decidiram procurar um material acessível e disponível na própria região.

Assim, o grupo reuniu dois desafios em uma única pesquisa: a poluição causada pela produção de farinha e o desperdício de resíduos orgânicos.

Cascas viraram matéria-prima

O projeto utiliza cascas de fruta-pinha para produzir um filtro capaz de reduzir a toxicidade da manipueira.

Dessa forma, um material que iria para o lixo ganha nova função e ajuda a diminuir os riscos do descarte do líquido.

Além disso, o baixo custo da matéria-prima pode facilitar a adoção da solução em comunidades rurais e casas de farinha que não dispõem de sistemas complexos de tratamento.

Ciência nasceu dentro da comunidade

Beatriz desenvolveu a pesquisa com outros três estudantes, sendo que dois integrantes do grupo também vivem no quilombo.

O trabalho surgiu nas atividades científicas da escola, com orientação de professores e apoio do programa Mais Ciência na Escola.

Segundo a estudante, perceber que a pesquisa poderia contribuir diretamente com a comunidade tornou o projeto ainda mais importante.

“A ciência pode nascer do simples. Essa é uma conquista do grupo e da nossa sociedade”, afirmou.

Projeto recebeu prêmio nacional

O FiltroPinha conquistou o segundo lugar na categoria Ensino Médio do Prêmio Jovem Cientista.

A edição premiou projetos relacionados às mudanças climáticas e ao uso da ciência, tecnologia e inovação para enfrentar problemas ambientais.

Com isso, Beatriz mostrou que soluções relevantes não precisam nascer apenas em grandes laboratórios. Muitas vezes, elas começam com a observação de um problema cotidiano e com o aproveitamento inteligente de materiais disponíveis na própria comunidade.

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Gabriel Yure

Gabriel Yuri Souto

Formado em Marketing, é especialista em SEO e estratégias de crescimento de audiência. Atua na produção de conteúdo digital, com foco em posicionamento nos mecanismos de busca, análise de desempenho e desenvolvimento de pautas orientadas por dados.

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