A vez em que um prefeito de Anápolis foi nomeado no programa de rádio mais antigo do Brasil
Entre a instalação da Base Aérea e o regime militar, cidade viu modelo político mudar completamente ao se tornar área de segurança nacional

Prestes a completar 119 anos de emancipação, é inegável que Anápolis tenha acumulado diversas histórias e ganhado cada vez mais importância no cenário brasileiro. Desde o nascimento como “Santana das Antas” até a casa de um dos maiores hubs logísticos do país, um título marcou profundamente a cidade: o de área de segurança nacional.
Conquistada em 1972, quando o Governo Federal resolveu instalar a Base Aérea de Anápolis (BAAN) e destiná-la à proteção de Brasília, a designação logo mudou o funcionamento político do município.
Antes com prefeitos eleitos diretamente por voto popular, Anápolis passou a ter os representantes do Executivo indicados pelo governador, sob aval do presidente da República.
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À época, o Brasil passava pelo momento mais intenso do regime militar, sob comando do General Emílio Garrastazu Médici. No Palácio das Esmeraldas, estava Leonino Caiado. E, na Prefeitura, assumiu Irapuan Costa Junior.
Hoje, Irapuan acumula intensa trajetória política: já foi prefeito, governador, deputado federal, senador e conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) de Goiás. Contudo, conta que o “pontapé” surgiu como uma surpresa.
O ex-prefeito relembrou ao Portal 6 que era presidente da Celg quando foi instalada a BAAN. Participou diretamente da implementação da estrutura, pois explica que o espaço ainda não contava com energia elétrica.
Quando as obras foram concluídas e a base passou a operar, Irapuan foi convidado por Leonino com uma notícia que não esperava receber. “Em agosto de 1973, o governador me pediu para ir ao Palácio, ali pelas 18h, e eu fui”.
“E ele me disse o seguinte: amanhã, Anápolis vai ser transformada em área de segurança nacional, o prefeito vai ser afastado e você vai assumir como prefeito nomeado”, recorda.
O então presidente da Celg, inicialmente, rejeitou a oferta. Defendeu: “eu não sou político, eu sou técnico, não me interessa essa posição”. O argumento não funcionou. A indicação do governador foi que ligasse a rádio.
“Ele olhou no relógio e disse assim: ‘escuta A Voz do Brasil’, que era o programa do governo nacional. ‘Vai começar daqui a uma hora, lá vai dar a sua nomeação. Amanhã às 09h você tem que estar assumindo a Prefeitura de Anápolis'”.
A Voz do Brasil é conhecida por ser o noticiário radiofônico mais antigo do país. Criada em 1935 durante o governo de Getúlio Vargas, a programação passou a ser obrigatória em todas as emissoras de rádio comerciais, englobando decisões políticas e prestações de contas.
A partir daí, Irapuan assumiu a cadeira, onde ficou até 1975. Em entrevistas ao longo da vida, ele já definiu que aceitou relutante a tarefa, mas depois a considerou enriquecedora.
Ficou cerca de um ano no cargo, enquanto tentava articular com a Câmara Municipal – majoritariamente oposicionista – um projeto conjunto para crescer a cidade economicamente. Ao deixar a posição, sucedeu Leonino como governador do estado.
No Palácio das Esmeraldas, continuou defendendo o desenvolvimento de Anápolis: foi quando a cidade ganhou o Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia), após articulações com o governo federal.
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