Casal comprou um tacho de R$ 20 mil sem saber fazer doce de leite e hoje fatura R$ 24 milhões por ano com marca que nasceu na fazenda dos pais
Persistência, planejamento e visão estratégica transformaram desafio inesperado em referência nacional de crescimento sustentável

O que começou como uma tentativa de aproveitar melhor a produção de leite da fazenda da família acabou se transformando em um negócio milionário em Minas Gerais.
Há 12 anos, Rosi Barbosa e Raphael Figueiredo fundaram a Rocca, fabricante de doce de leite sediada em Pouso Alegre.
Atualmente, a empresa fatura cerca de R$ 24 milhões por ano, produz aproximadamente 18 mil potes por dia, distribui seus produtos para todo o Brasil e prepara a expansão para o mercado internacional.
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A história começou com um investimento de cerca de R$ 20 mil na compra de um tacho industrial, mesmo sem experiência na fabricação do doce.

(Fábrica de doce de leite em pleno funcionamento / Foto: Divulgação – Rocca)
Rosi cresceu na Fazenda Zé Pequeno, acompanhando os pais José e Lazara, produtores de leite há décadas. Formada em Direito, nunca seguiu carreira na área e enxergou na receita artesanal preparada pela mãe uma oportunidade para agregar valor ao leite produzido na propriedade.
Raphael, engenheiro de telecomunicações e sem qualquer ligação com o meio rural, acreditou no potencial da ideia e decidiu empreender ao lado da esposa.
O objetivo era deixar de comercializar apenas leite, produto de baixa margem de lucro, para construir uma marca forte baseada em um alimento de maior valor agregado.
Receita da tradição
Os primeiros meses foram dedicados a aperfeiçoar a produção. O casal levou cerca de um ano até chegar à receita considerada ideal, feita apenas com leite fresco e açúcar, sem espessantes ou conservantes.
A proposta resgatou características do tradicional doce de leite mineiro e acabou posicionando a Rocca entre as marcas premium do segmento. Embora esse não fosse o plano inicial, o cuidado com os ingredientes, o processo de cozimento mais lento e a identidade da marca conquistaram consumidores em todo o país.
Crescimento acelerado
No primeiro ano de funcionamento, a empresa faturou aproximadamente R$ 200 mil e produziu cerca de 18 mil potes ao longo de doze meses.
Hoje, essa mesma quantidade é fabricada em apenas um dia. A expansão também exigiu o aumento da produção de leite, modernização da estrutura da fazenda e ampliação da fábrica.
Além da versão tradicional, a empresa passou a oferecer sabores como café, pistache, avelã, coco e cacau, ampliando sua presença no varejo e no segmento de food service.

(Vacas holandesas se alimentando na Fazenda Zé Pequeno – Foto: Divulgação – Rocca)
A trajetória da Rocca mostra como a inovação no agronegócio pode nascer da valorização da produção familiar. Ao transformar uma matéria-prima de baixo valor agregado em um produto diferenciado, o casal construiu uma marca reconhecida nacionalmente e prepara novos passos, incluindo o início das exportações.
O exemplo reforça que planejamento, investimento em qualidade e fortalecimento da identidade da marca podem transformar uma propriedade rural em um negócio competitivo e de alcance internacional.
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