Cientistas pintaram seis vacas pretas com listras brancas, viram a quantidade de moscas sobre os animais cair quase pela metade e encontraram uma forma prática de reduzir o uso de inseticidas no gado
Experimento japonês inspirado nas zebras aponta alternativa visual para aliviar o gado e limitar a dependência de produtos químicos

Uma cena improvável em um pasto japonês ajudou cientistas a testar uma alternativa aos inseticidas. Seis vacas pretas receberam listras brancas semelhantes às das zebras e passaram a atrair quase metade das moscas picadoras observadas nos animais sem o padrão.
O estudo, publicado em 2019 na revista científica PLOS One, foi conduzido com vacas prenhes da raça Japanese Black. Cada animal passou por três condições: listras brancas, listras pretas e nenhuma pintura, permitindo comparar o efeito visual e descartar o cheiro da tinta como principal explicação.
Menos moscas e incômodo
Nas vacas com faixas pretas e brancas, o número de moscas sobre o corpo e as pernas ficou próximo da metade do registrado nos outros grupos. Os cientistas também observaram redução de cerca de 20% nos movimentos usados para afastar insetos, como bater as orelhas, sacudir a cabeça e movimentar a cauda.
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As listras tinham entre quatro e cinco centímetros e eram feitas com tinta à base de água. O trabalho levava aproximadamente cinco minutos por animal, mas as marcas desapareciam em poucos dias, o que limita a aplicação em grandes rebanhos.
Como as listras podem funcionar
Pesquisas com zebras e cavalos indicam que as moscas continuam se aproximando, porém encontram dificuldade para desacelerar e pousar sobre superfícies listradas. O contraste pode confundir a percepção de movimento dos insetos nos instantes finais do voo.
Os autores afirmam que o método pode inspirar formas de controle com menor uso de pesticidas, sobretudo diante de resistência desenvolvida por algumas populações de moscas. Ainda assim, serão necessários testes maiores e materiais duráveis antes que a técnica se torne viável nas fazendas.
O trabalho voltou aos holofotes em setembro de 2025, quando a equipe recebeu o Ig Nobel de Biologia, prêmio dedicado a pesquisas que primeiro provocam riso e depois reflexão.
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