De 15 casas a 420 mil moradores: Anápolis chega aos 119 anos maior que três capitais
Município é hoje a 62ª maior cidade do país, possui uma economia de R$ 20,4 bilhões e uma das 45 maiores frotas de veículos do Brasil

Antes de se transformar na terceira maior cidade de Goiás, Anápolis era um pequeno aglomerado de apenas 15 casas às margens do Riacho das Antas. O registro é de 1859. Mais de um século e meio depois, o município chega aos 119 anos com população estimada em 420,3 mil pessoas.
O tamanho alcançado coloca a cidade acima de três capitais brasileiras. Anápolis tem mais moradores que Rio Branco, no Acre, com 389 mil; Vitória, no Espírito Santo, com 343,3 mil; e Palmas, no Tocantins, onde vivem cerca de 328,5 mil pessoas.
Na lista das estimativas populacionais de 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município aparece como o 62º mais populoso entre os 5.570 do país. Em Goiás, permanece atrás apenas de Goiânia e Aparecida de Goiânia.
A marca representa também um novo salto em relação ao Censo de 2022, quando foram contabilizados 398.869 habitantes. Em apenas três anos, Anápolis ganhou mais de 21 mil moradores.
De parada de tropeiros a uma das maiores cidades do país
A história da ocupação da região começou ainda no século XVIII, impulsionada pela passagem de tropeiros que seguiam em direção às áreas de exploração de ouro de Meia Ponte, atual Pirenópolis, Corumbá de Goiás, Santa Cruz, Silvânia e Cidade de Goiás.
Os cursos d’água João Cezário, Góis e Antas serviam como pontos de descanso e orientação durante as viagens. Com o enfraquecimento da mineração, parte dos viajantes decidiu permanecer às margens do Antas, onde passou a constituir família e explorar a terra.
Em 1819, o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire já descrevia a Fazenda das Antas, onde encontrou um engenho de açúcar e um rancho no qual se hospedou.
Quatro décadas depois, em 1859, a área pertencente a Manoel Rodrigues dos Santos reunia somente 15 casas. Os moradores realizavam novenas e orações, dando início à formação religiosa e comunitária do povoado.
O primeiro documento oficial sobre o local surgiu em 1870, quando moradores doaram parte das terras para a criação do Patrimônio de Nossa Senhora de Santana. No ano seguinte, Gomes de Souza Ramos construiu a Capela de Santana, em torno da qual o povoado cresceu até passar pelas condições de freguesia, vila e, finalmente, cidade.
Economia cresceu, mas cidade perdeu posições
O avanço populacional também foi acompanhado pela expansão da economia. Em 2023, último ano com dados municipais consolidados, o Produto Interno Bruto (PIB) de Anápolis chegou a R$ 20,43 bilhões.
Mesmo com o aumento do valor produzido, porém, a cidade perdeu espaço no ranking estadual. Anápolis possuía o segundo maior PIB de Goiás em 2021, caiu para a terceira colocação em 2022 e recuou novamente em 2023, quando foi ultrapassada por Aparecida de Goiânia e passou a ocupar o quarto lugar.
À frente ficaram Goiânia, com PIB de R$ 75,78 bilhões; Rio Verde, com R$ 22,31 bilhões; e Aparecida de Goiânia, com R$ 20,88 bilhões. A diferença entre Anápolis e Aparecida foi de aproximadamente R$ 457 milhões.
Apesar da perda de posições dentro do estado, Anápolis continua entre as 100 maiores economias municipais do Brasil. No ranking nacional, aparece na 79ª colocação. O PIB per capita chegou a R$ 51.225,11.
Uma das maiores frotas do Brasil
Outro indicador que ajuda a mostrar o tamanho alcançado pela cidade está nas ruas. Anápolis encerrou 2025 com 339.106 veículos registrados, formando a terceira maior frota de Goiás e a 44ª entre os municípios brasileiros.
O número equivale a cerca de oito veículos para cada dez moradores, considerando a estimativa populacional mais recente.
Hoje, onde havia 15 casas, vivem mais de 420 mil pessoas. É o contraste que melhor resume os 119 anos de Anápolis: uma antiga parada de tropeiros que cresceu até superar três capitais brasileiras.
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