Os empregos em que a Geração Z não quer trabalhar e prefere ficar desempregada, segundo recrutadores

Levantamentos mostram que salário, flexibilidade e bem-estar pesam cada vez mais na decisão de aceitar uma oportunidade

Gabriel Dias Gabriel Dias -
Os empregos em que a Geração Z não quer trabalhar e prefere ficar desempregada, segundo recrutadores
(Foto: Agência Brasil)

A entrada da Geração Z no mercado de trabalho tem provocado mudanças na forma como as empresas divulgam vagas, conduzem processos seletivos e tentam manter os profissionais contratados.

Nascidos entre o fim da década de 1990 e o início dos anos 2010, esses jovens demonstram menor disposição para permanecer em ambientes que prejudicam a saúde mental ou não oferecem perspectivas de crescimento.

Uma pesquisa da Randstad mostrou que 40% dos entrevistados da Geração Z prefeririam ficar desempregados a continuar infelizes em um emprego. O resultado, porém, não significa que os jovens não desejem trabalhar.

Na prática, levantamentos e experiências relatadas por recrutadores indicam uma rejeição maior a determinadas condições profissionais, e não necessariamente a uma lista fechada de profissões.

Empregos com salários baixos e sem crescimento

Vagas que oferecem remuneração pequena, atividades repetitivas e nenhuma possibilidade clara de promoção estão entre as menos atraentes para a Geração Z.

Além do salário, esses trabalhadores buscam oportunidades para aprender novas habilidades e avançar na carreira. Por isso, empregos que não oferecem treinamento, acompanhamento ou plano de desenvolvimento podem enfrentar dificuldades para preencher vagas.

A pesquisa global da Deloitte de 2025, realizada com mais de 23 mil jovens de 44 países, mostrou que dinheiro, propósito e bem-estar formam os três principais pilares considerados por integrantes da Geração Z e millennials na vida profissional.

Vagas presenciais com horários rígidos

Outro modelo que encontra resistência é o emprego totalmente presencial, principalmente quando a função poderia ser desempenhada de forma remota ou híbrida.

Isso não significa que todos os jovens se recusem a comparecer ao escritório. Entretanto, eles costumam questionar exigências presenciais que não apresentam uma justificativa prática.

Horários inflexíveis, controle excessivo da jornada e falta de autonomia também podem afastar candidatos. A flexibilidade passou a ser avaliada ao lado da remuneração e da estabilidade no momento de escolher uma empresa.

O Workmonitor da Randstad identificou que equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, flexibilidade e desenvolvimento profissional ganharam espaço nas decisões dos trabalhadores.

Trabalhos com pressão e jornadas excessivas

Empregos marcados por cobranças constantes, metas consideradas inalcançáveis e necessidade de permanecer disponível fora do expediente também estão entre os mais rejeitados.

Nesse grupo, podem aparecer vagas de atendimento ao público, vendas, telemarketing e funções administrativas. No entanto, a rejeição não ocorre simplesmente pelo cargo, mas pelas condições oferecidas.

Uma vaga comercial com salário adequado, treinamento e metas realistas, por exemplo, pode continuar atraente. Já um posto com remuneração baixa, cobrança agressiva e alta rotatividade tende a despertar menos interesse.

Empresas sem propósito ou valores claros

A Geração Z também costuma observar o posicionamento das organizações sobre diversidade, sustentabilidade, transparência e responsabilidade social.

Quando a conduta da empresa entra em conflito com os valores pessoais do candidato, a tendência é que a oportunidade seja recusada, mesmo quando oferece um bom cargo.

Além disso, ambientes considerados tóxicos, com lideranças autoritárias, assédio, competição excessiva ou falta de reconhecimento podem levar esses profissionais a procurar outra colocação.

Funções ameaçadas pela inteligência artificial

O avanço da inteligência artificial também começou a influenciar as escolhas profissionais dos mais jovens. Funções administrativas e corporativas compostas por tarefas repetitivas passaram a ser vistas como mais vulneráveis à automação.

Ao mesmo tempo, cresce o interesse por atividades técnicas e operacionais. Uma pesquisa realizada em 2025 com 1.434 integrantes da Geração Z apontou que 37% dos jovens graduados consultados estavam buscando trabalhos manuais ou técnicos.

Entre as razões apresentadas estavam a possibilidade de conseguir estabilidade, bons salários e menor risco de substituição imediata pela tecnologia.

Apesar das críticas recorrentes, não é correto afirmar que a Geração Z rejeita o trabalho. Outro levantamento encontrou uma realidade diferente da imagem difundida nas redes sociais: 64% dos jovens entrevistados disseram gostar ou amar o próprio emprego.

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Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Telejornalismo e Jornalismo Cultural.

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