Médico explica doença rara que matou estudante da UEG aos 23 anos
Condição tem alta taxa de mortalidade e pode evoluir rapidamente mesmo em pacientes que conseguem chegar ao hospital

A morte do estudante e atleta da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Dyogo Carneiro do Carmo, de 23 anos, no último sábado (1º), após sofrer uma dissecção aguda da aorta, chamou a atenção para uma doença rara, mas considerada uma das emergências cardiovasculares mais graves da medicina.
Ao Portal 6, o cardiologista Giuliano Serafino Ciambelli explicou que a dissecção aguda da aorta ocorre quando há uma ruptura na camada interna da principal artéria do organismo, criando um falso caminho para a circulação do sangue.
“É uma das principais causas de morte cardiovascular. É uma doença muito trágica e acontece geralmente de forma extremamente súbita”, afirmou.
Segundo o especialista, a gravidade é tão elevada que muitos pacientes morrem antes mesmo de chegar ao hospital. Mesmo entre aqueles que conseguem receber atendimento, o risco continua alto.
Embora seja mais frequente em pessoas acima dos 60 anos, a doença também pode atingir pacientes jovens. Nesses casos, costumam existir fatores predisponentes, como doenças do tecido conjuntivo, aneurismas da aorta, alterações congênitas da válvula aórtica, gestação, tabagismo, uso de cocaína ou anfetaminas, além de traumas no tórax.
“O exercício físico intenso, em pacientes predispostos, também pode ser um fator de risco”, explicou Giuliano Serafino Ciambelli.
O principal sintoma é uma dor intensa e repentina no peito, frequentemente descrita pelos pacientes como uma sensação de “rasgo” ou “dilaceração”, irradiando para as costas. Dependendo da gravidade, também podem surgir falta de ar, desmaios, infarto e até acidente vascular cerebral (AVC).
Para reduzir os riscos, o cardiologista recomenda controlar fatores como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade e interromper o tabagismo e o uso de drogas ilícitas.
Além disso, ele orienta que pessoas jovens que pretendem praticar exercícios de alta intensidade realizem avaliação cardiológica previamente, especialmente quando houver histórico familiar ou suspeita de doenças da aorta.
Em caso de sintomas, a recomendação é procurar imediatamente um serviço de emergência.
“O diagnóstico precoce e o tratamento imediato podem ajudar a salvar vidas. Quanto mais rápido o diagnóstico, maiores são as chances de sobrevivência”, ressaltou o médico.
O especialista reforça que a confirmação do quadro costuma ser feita por exames como tomografia ou ecocardiograma e, quando a dissecção acomete a aorta ascendente, o tratamento geralmente envolve cirurgia cardíaca de urgência.

Cardiologista Giuliano Serafino Ciambelli. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
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