Diariamente, 13 crianças nascem em Goiás sem o nome do pai na certidão
Levantamento nacional mostra que 36% dos reconhecimentos no país só acontecem depois da primeira infância, após os seis anos de idade
Crescer com apenas um nome registrado na certidão de nascimento não é uma realidade distante no Brasil: dados nacionais mostram que 36,2% dos reconhecimentos paternos no país acontecem apenas depois da primeira infância.
Os números são da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), que especifica que esses filhos ou filhas só preenchem esta lacuna no documento a partir dos seis anos de idade.
A realidade também é vivida em Goiás. Segundo o Portal da Transparência do Registro Civil, o estado tem seguido uma tendência consistente na última década: anualmente, cerca de 5 mil crianças nascem com os pais ausentes.
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Desde 2016, nasceram 837.504 goianos. Destes, 54.171 foram registrados apenas com o nome da mãe na certidão. A quantidade equivale a 6,47% do total.
Em uma década, isso significaria que aproximadamente 13 crianças nasceram diariamente em Goiás sem o reconhecimento da paternidade.
Quando analisados os números entre 2021 e 2026, a porcentagem é similar: 7,25%. De 411.888 documentos, 29.843 tinham esta lacuna vazia.
A partir daí, manteve-se a tendência: entre 6,16% e 6,86% das crianças nascidas em Goiás eram registradas com o pai ausente. Em números gerais, essa quantidade variava de 4.972 a 5.729 bebês.
Em 2021, foram 5.033 dos 81.694 pequenos nascidos. Em 2022, 4.972 dos 80.406 novos goianos. No ano seguinte, em 2023, o estado registrou 5.317 bebês sem pai, de um total de 82.657.
Em 2024, houve 79.505 nascimentos, dos quais 5.127 contaram apenas com o nome da mãe na certidão. Já em 2025, 5.729 de 83.478 crianças ficara sem essa informação no documento.
Tentativas de mudança
Na tentativa de mudar esse cenário e dar uma chance aos filhos e filhas que queriam incluir o nome do pai na certidão de nascimento, a Defensoria Pública de Goiás (DPE-GO) tem realizado, há alguns anos, o programa “Meu Pai Tem Nome”.
Inicialmente estadual, ele ganhou escala nacional em 2022, quando passou a ser coordenado pelo Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege) e aconteceu a primeira edição do Dia D.
A proposta é contemplar procedimentos de reconhecimento de paternidade (e maternidade) biológica, socioafetiva e post mortem, por meio de mediações presenciais, online e coleta de amostras de DNA quando necessário.
Os serviços são gratuitos. Em Anápolis, o Dia D do programa Meu Pai Tem Nome acontece no próximo sábado (15), das 08h às 17h, na unidade da Defensoria Pública da cidade, localizada na Avenida Pinheiro Chagas, bairro Jundiaí.
Entre 2021 e 2026, 5% dos nascidos na cidade foram registrados com o pai ausente: 1.566 bebês dos 29.938.
Aos interessados, basta comparecer ao local com os documentos necessários. Quem se inscreveu com antecedência deve ser atendido com horário agendado, mas quem não fez a inscrição pode esperar a ordem de chegada e a disponibilidade das equipes.
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