Juan Liquindoli, veterinário: ‘Os cães gostam de carinho, mas nem todo tipo de carícia é agradável para eles’
Reação do animal pode mudar conforme o local e a maneira do toque, e pequenos movimentos ajudam a perceber quando é hora de parar

Fazer carinho costuma ser uma das formas mais naturais de demonstrar afeto por um cachorro. O que muita gente não percebe é que aceitar o contato não significa necessariamente gostar de qualquer toque ou em qualquer parte do corpo.
O especialista em comportamento animal Juan Manuel Liquindoli chama atenção justamente para essa diferença. Segundo ele, cada cão possui preferências próprias, e observar a linguagem corporal é fundamental para entender se o contato está sendo confortável.
A ideia encontra respaldo em pesquisas sobre interação entre humanos e cães. Um estudo publicado no Applied Animal Behaviour Science analisou respostas comportamentais e cardíacas durante diferentes tipos de contato físico e encontrou variações conforme a região tocada e a familiaridade com a pessoa.
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Quais locais exigem mais cuidado?
No experimento citado pelo especialista, contatos envolvendo regiões como patas, pescoço e proximidades da cauda estiveram associados a mais sinais de desconforto em determinadas situações.
A pesquisa também avaliou interações que restringiam os movimentos, como segurar uma pata, cobrir o focinho ou manter o animal imobilizado. Esse tipo de contato merece atenção especial.
Já peito e ombros apareceram entre as regiões associadas a respostas fisiológicas mais estáveis no estudo relatado por Liquindoli. Isso, porém, não significa que todos os cães prefiram necessariamente esses locais.
O próprio cachorro dá pistas
Virar a cabeça, desviar o olhar, lamber o focinho, ficar imóvel ou levantar uma pata podem indicar desconforto.
Bocejar, se sacudir, ofegar, começar a cheirar o chão ou direcionar repentinamente a atenção para outro lugar também podem aparecer durante uma interação desagradável.
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