Juan Liquindoli, veterinário: ‘Os cães gostam de carinho, mas nem todo tipo de carícia é agradável para eles’

Reação do animal pode mudar conforme o local e a maneira do toque, e pequenos movimentos ajudam a perceber quando é hora de parar

Gabriel Dias Gabriel Dias -
Juan Liquindoli, veterinário: ‘Os cães gostam de carinho, mas nem todo tipo de carícia é agradável para eles’
(Imagem: Ilustração/Inteligência artificial/ChatGPT)

Fazer carinho costuma ser uma das formas mais naturais de demonstrar afeto por um cachorro. O que muita gente não percebe é que aceitar o contato não significa necessariamente gostar de qualquer toque ou em qualquer parte do corpo.

O especialista em comportamento animal Juan Manuel Liquindoli chama atenção justamente para essa diferença. Segundo ele, cada cão possui preferências próprias, e observar a linguagem corporal é fundamental para entender se o contato está sendo confortável.

A ideia encontra respaldo em pesquisas sobre interação entre humanos e cães. Um estudo publicado no Applied Animal Behaviour Science analisou respostas comportamentais e cardíacas durante diferentes tipos de contato físico e encontrou variações conforme a região tocada e a familiaridade com a pessoa.

Quais locais exigem mais cuidado?

No experimento citado pelo especialista, contatos envolvendo regiões como patas, pescoço e proximidades da cauda estiveram associados a mais sinais de desconforto em determinadas situações.

A pesquisa também avaliou interações que restringiam os movimentos, como segurar uma pata, cobrir o focinho ou manter o animal imobilizado. Esse tipo de contato merece atenção especial.

Já peito e ombros apareceram entre as regiões associadas a respostas fisiológicas mais estáveis no estudo relatado por Liquindoli. Isso, porém, não significa que todos os cães prefiram necessariamente esses locais.

O próprio cachorro dá pistas

Virar a cabeça, desviar o olhar, lamber o focinho, ficar imóvel ou levantar uma pata podem indicar desconforto.

Bocejar, se sacudir, ofegar, começar a cheirar o chão ou direcionar repentinamente a atenção para outro lugar também podem aparecer durante uma interação desagradável.

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Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Jornalismo Cultural.

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