Apenas 2% das escolas param no segundo dia de greve em Goiânia
Levantamento da Prefeitura aponta que 293 unidades estão em funcionamento; Justiça determinou manutenção de pelo menos 70% dos servidores administrativos

A greve dos servidores administrativos da Educação chegou ao segundo dia nesta terça-feira (18), com sete das 293 escolas municipais de Goiânia totalmente fechadas. O número representa cerca de 2% da rede, segundo levantamento divulgado pela Secretaria Municipal de Educação (SME).
A paralisação ocorre em meio a uma disputa judicial. Uma decisão determinou que cada escola mantenha pelo menos 70% dos servidores administrativos em atividade. O cumprimento da medida será acompanhado por meio dos registros de frequência, com previsão de multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento, limitada inicialmente a R$ 100 mil.
Para evitar que a paralisação comprometa serviços considerados essenciais, a Prefeitura informou que reforçou o acompanhamento da presença dos servidores e adotou medidas de contingência nas unidades.
Entre as ações estão a reorganização temporária das equipes e a transferência de trabalhadores para escolas que enfrentarem maior impacto, quando necessário. A prioridade é garantir atividades como alimentação escolar, atendimento da educação infantil e suporte a estudantes que necessitam de atendimento especial.
Enquanto a greve segue sendo discutida na Justiça, a Prefeitura também apresentou uma proposta para mudar a estrutura da carreira dos servidores administrativos da Educação. Segundo a administração municipal, a medida representa uma tentativa de corrigir distorções na tabela salarial após cerca de 15 anos sem uma reestruturação.
A proposta prevê a implantação de uma nova tabela de vencimentos de forma gradual, entre 2026 e 2030. O planejamento inclui aumento do piso do Nível I, Referência A, para R$ 1.640, além da manutenção de percentuais específicos para as progressões horizontal e vertical.
O impacto financeiro estimado pela Prefeitura começa em R$ 10,2 milhões em 2026 e chega a R$ 62,6 milhões em 2030.
A disputa também avançou no campo judicial. A Procuradoria-Geral do Município solicitou à Justiça que o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) apresente documentos relacionados à decisão de iniciar a greve.
Entre os pedidos estão a ata completa da assembleia que aprovou a paralisação, lista de presença, comprovação de convocação dos servidores, informações sobre o quórum e o estatuto da entidade. A Prefeitura também quer que o sindicato apresente quais pontos de um acordo anterior teriam sido descumpridos e um plano de contingência para cada escola.
A ausência injustificada da documentação solicitada poderá ser considerada na análise sobre a regularidade da paralisação.
Uma audiência de conciliação entre as partes está marcada para esta quarta-feira (19), às 09h, no Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO). A reunião será realizada presencialmente na sala de sessões da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Goiás.
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