A Psicologia explica por que crianças dos anos 1960 e 1970 aprenderam a resolver problemas sozinhas e desenvolveram mais autonomia

Estudos ajudam a explicar por que mais liberdade na infância pode ter impacto no desenvolvimento emocional, mas há limites importantes

Gabriel Dias Gabriel Dias -
A Psicologia explica por que crianças dos anos 1960 e 1970 aprenderam a resolver problemas sozinhas e desenvolveram mais autonomia
(Imagem: Ilustração/Inteligência artificial/ChatGPT)

A infância das décadas de 1960 e 1970 costuma ser lembrada pela liberdade de brincar na rua, resolver conflitos entre amigos e voltar para casa apenas no fim do dia.

Essa rotina alimentou a ideia de que aquelas crianças teriam desenvolvido mais resistência emocional. No entanto, pesquisas indicam que a explicação é mais complexa do que simplesmente atribuir essa característica à “negligência” dos pais.

Mais autonomia pode favorecer habilidades emocionais

Uma meta-análise que reuniu 52 artigos encontrou pequenas associações entre superproteção parental e sintomas de ansiedade, depressão e outros problemas de internalização. A maior parte dos participantes, porém, era formada por jovens com idade próxima aos 20 anos.

Isso significa que os dados não permitem concluir que crianças criadas com menos supervisão necessariamente se tornam adultos emocionalmente mais fortes. Também não provam que a superproteção seja a causa direta desses problemas.

Ainda assim, pesquisas apontam benefícios relacionados à autonomia. Um estudo australiano acompanhou 2.213 crianças e observou que mais tempo dedicado a brincadeiras livres e não estruturadas nos primeiros anos estava associado a maior capacidade de autorregulação posteriormente.

Liberdade não significa abandono

É justamente nessa diferença que mora um ponto importante. Dar espaço para a criança enfrentar pequenas frustrações, inventar brincadeiras ou solucionar problemas não equivale a deixá-la sem proteção.

Revisões sobre a chamada criação “helicóptero” também encontraram relações com ansiedade e depressão. Entretanto, os próprios pesquisadores destacam que as evidências ainda não permitem estabelecer causa e efeito.

Assim, a experiência das gerações de 1960 e 1970 não comprova que uma infância mais negligenciada produzia pessoas mais fortes. O que os estudos sugerem é que oportunidades adequadas de autonomia, brincadeiras livres e resolução de problemas podem contribuir para o desenvolvimento da autorregulação.

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Jornalismo Cultural.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.

+ Notícias