As irmãs largaram as carreiras no mundo jurídico e fitness para assumir os negócios da família e investir na criação de 200 mil aves
Depois de anos longe da gestão rural, Kellen e Catiusa voltaram ao campo para preservar um legado iniciado pela família há quase cinco décadas

Duas irmãs trocaram carreiras construídas fora do campo para assumir os negócios da família e dar continuidade a uma história iniciada ainda na década de 1970.
Kellen e Catiusa representam a terceira geração da família Cenci ligada ao agronegócio. Hoje, elas dividem a administração de propriedades que unem produção de grãos e uma granja capaz de alojar entre 200 mil e 220 mil aves.
A mudança, porém, não aconteceu de uma hora para outra. Antes de assumir definitivamente o negócio, uma delas trabalhou por cerca de dez anos na área de Educação Física. A outra estudou Relações Internacionais e Direito e passou aproximadamente 12 anos trabalhando no Judiciário.
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Chamado da família
A trajetória da família no Cerrado começou em 1977, quando Derci Cenci deixou o Rio Grande do Sul acompanhado de familiares em busca das oportunidades oferecidas pela expansão agrícola no Centro-Oeste.
Naquela época, segundo o relato das filhas, faltavam máquinas, infraestrutura e até moradia adequada nas áreas em desenvolvimento.
Décadas depois, o avanço da idade do pai e o aumento das exigências ambientais, tributárias e documentais começaram a aproximar novamente as filhas da gestão.
No caso da irmã que trabalhava no Judiciário, a própria formação jurídica fez com que o pai recorresse cada vez mais a ela para resolver questões burocráticas das propriedades.
Com o tempo, a participação aumentou até que surgiu a decisão de deixar a antiga profissão e se dedicar integralmente ao patrimônio familiar.
“Em momento algum eu me arrependo. Foi a melhor decisão que eu fiz”, afirmou.
Granja para até 220 mil aves
A avicultura entrou posteriormente na história da família e hoje representa uma das principais frentes da propriedade.
A granja existe há cerca de 30 anos e possui dois núcleos. Um conta com quatro aviários, enquanto o outro possui cinco.
Dependendo da densidade adotada em cada período, a estrutura recebe entre 200 mil e 220 mil aves.
Além disso, a propriedade participa de iniciativas voltadas ao controle de salmonela e investe em equipamentos, manejo, biossegurança e bem-estar animal.
Cada irmã assumiu uma função
A gestão também ganhou uma divisão baseada na experiência profissional de cada uma.
Uma das irmãs concentra as atividades administrativas, financeiras, burocráticas e de planejamento. Grande parte desse trabalho acontece em um escritório em Brasília.
Enquanto isso, a outra permanece mais próxima da propriedade e acompanha funcionários, compras e demandas da operação cotidiana.
Além disso, sistemas de câmeras permitem acompanhar atividades da granja mesmo à distância.
Produção integrada
Outro ponto da operação está na ligação entre avicultura e produção agrícola.
A família aproveita a cama retirada dos aviários como adubo nas áreas de cultivo. Assim, parte do material gerado pela criação das aves retorna para a produção de grãos.
Ao mesmo tempo, as irmãs avaliam novos investimentos e até a possibilidade de construir outros aviários.
Próxima geração já entra nos planos
A sucessão não termina necessariamente com Kellen e Catiusa.
As duas já começam a aproximar as próprias filhas da rotina do campo e da origem dos alimentos encontrados nos supermercados.
Para elas, continuar o trabalho significa preservar não apenas o patrimônio, mas também os princípios transmitidos pelo pai.
Quase 50 anos depois da chegada da família ao Cerrado, um negócio iniciado em condições bastante diferentes agora passa pelas mãos das filhas e pode, futuramente, seguir também com as netas.
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