Empresária de Anápolis que pediu ajuda após acumular dívidas conta que movimento do restaurante está voltando: “aquilo é a minha vida”

Janaine Rodrigues compartilhou que ajuda financeira é importante, mas melhor parte á a chance de clientes conhecerem e voltarem a visitar

Natália Sezil Natália Sezil -
Restaurante Brasaô Espetinhos e Jantinhas fica na Rua Leopoldo de Bulhões, no Centro de Anápolis.
Restaurante Brasaô Espetinhos e Jantinhas fica na Rua Leopoldo de Bulhões, no Centro de Anápolis. (Foto: Arquivo pessoal)

Janaine Rodrigues, a empresária de Anápolis que foi a público pedir ajuda para manter o próprio restaurante de pé após acumular dívidas, contou que se surpreendeu com a velocidade da repercussão.

A proprietária do Brasaô Espetinhos e Jantinhas, no Setor Central, compartilhou com o Portal 6 que esperava que o apelo desse certo, mas não tão rápido. E definiu: “aquilo ali para mim é a minha vida”.

O empreendimento está aberto há quatro meses, desde que Janaine resolveu explorar um emprego que não fosse no modelo CLT. “Eu gosto muito de cozinhar, mas gosto de cozinhar para muita gente”.

“Sempre trabalhei em CLT e [o modelo] deixa a gente muito privado. Pensei: ‘por que não tentar?’. E pensei no ramo alimentício, porque é um ramo que não para”, explica como começou.

A jovem já tinha experiência com a venda de açaís, mas apenas no delivery. Por isso, precisou fazer investimentos “do zero”.

O ponto escolhido foi estratégico: fica em uma esquina na rua Leopoldo de Bulhões, onde Janaine considera: “de um jeito ou de outro, [quem passa] tem que me ver”.

A empresária explica que o movimento inicial foi bom, em parte por conta da inauguração. Depois, veio o mês de férias e o fluxo de clientes caiu. As dívidas começaram, e o que o empreendimento vendia já não era capaz de sustentar toda a operação.

Uma das soluções encontradas foi diminuir a equipe. Se antes tinha funcionários para a cozinha, salão e churrasqueira, atualmente só trabalham Janaine e o namorado.

Outra foi procurar empréstimos, mas isso acabou virando um ciclo vicioso. Em um vídeo nas redes sociais, a proprietária do Brasaô detalhou: “vence um agiota, pega com outro para pagar o que venceu, comprar mercadoria. E o meu dinheiro estava ficando nisso”.

A ideia de recorrer à internet surgiu quando viu o vídeo de outra mulher fazendo o mesmo.

“Eu não conheço muita gente e sou muita orgulhosa. Eu passei diversas situações calada, sozinha. Então quando vi que estava ficando realmente muito sério e talvez poderia partir para um lado que eu não conseguiria mais resolver, vi esse vídeo. Foi quando falei: ‘vou pedir ajuda, porque sozinha não estou dando conta’.”

Um sonho

A jovem desabafa que a parte econômica era importante, mas diz que “o Brasaô não é só pelo dinheiro. O Brasaô, para mim, é um sonho que eu tenho”. Ela define que abrir o restaurante “foi um tiro no escuro”.

“Eu adoro cozinhar, a minha vida inteira trabalhei com atendimento ao público, eu adoro isso. Adoro ter que ir no mercado fazer compra, ir na embalagem comprar as coisas… todo o processo. Eu adoro cada passo que tem até chegar na mesa do cliente, e quando o cliente chega lá e come tudo”.

Ela conta que, se o empreendimento desse errado, “seria tudo em vão”. “Além de não pagar tudo que eu devo, eu vou ter perdido meu dinheiro, eu vou ter perdido o meu sonho, sabe?!”.

Retorno rápido

Janaine conta que o apelo publicado na última quinta-feira (27) já está dando retorno. “No dia que eu postei o vídeo, eu não ia abrir, não tinha dinheiro para abrir”, desabafa. Agora, o restaurante já está recebendo novos clientes.

“Com a visibilidade e com a comida boa, o atendimento legal, se Deus quiser logo, logo eu quito essas dívidas. Tem uma caminhadinha ainda, mas vai dar certo”, afirma.

Ela diz que tentou controlar as expectativas e se surpreendeu com o movimento, mas destaca: “se as pessoas forem lá conhecer, comer e gostar, elas vão voltar. Então isso vai manter o meu negócio de pé”.

Além do apoio de consumidores, a empresária também recebeu ajuda de um colega do ramo. Ganhou alguns quilos de carne do proprietário do Classe A Grill, o que a deixou surpresa.

“Ele poderia simplesmente ter ignorado, passado o vídeo e pensado ‘não é problema meu’. Mas a empatia que ele teve, a preocupação, foi a coisa mais linda. Eu nunca vou esquecer, foi sensacional”, conta.

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Natália Sezil

Natália Sezil

Chegou no Portal 6 como estagiária de jornalismo e foi promovida a repórter. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.

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