Bancários de Goiás decidem nesta quinta e sexta-feira se vão entrar em greve; veja o que está em jogo

Ao Portal 6, presidente do Sindicato dos Bancários no Estado de Goiás revelou que trabalhadores vão analisar propostas em assembleias

Lara Duarte Lara Duarte -
Bancários de Goiás votam propostas salariais em assembleia virtual nesta quinta (3) e sexta-feira (4). (Foto: Reprodução/Sindicato dos Bancários de Goiás)
Bancários de Goiás votam propostas salariais em assembleia virtual nesta quinta (3) e sexta-feira (4). (Foto: Reprodução/Sindicato dos Bancários de Goiás)

A possibilidade de uma greve dos bancários ganhar força em Goiás começa a ser definida nesta quinta-feira (03), quando trabalhadores de bancos públicos e privados iniciam votações sobre as propostas apresentadas durante a Campanha Nacional dos Bancários 2026.

Em entrevista ao Portal 6, o presidente do Sindicato dos Bancários no Estado de Goiás (SEEB-GO), Sérgio Luiz da Costa, explicou que ainda não há uma decisão sobre paralisação no estado. O resultado dependerá das assembleias, que começam às 19h desta quinta e seguem até o mesmo horário de sexta-feira (04).

“Nós, tanto em Goiás como no restante do país, as assembleias estão ocorrendo hoje a partir das 19h. As assembleias on-line vão até amanhã no mesmo horário”, explicou.

A votação será realizada de forma virtual para permitir a participação de trabalhadores de diferentes regiões do estado. Haverá deliberações específicas para empregados da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e da rede privada.

Proposta prevê ganho acima da inflação

Para os trabalhadores dos bancos privados, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou uma proposta que prevê reposição integral da inflação medida pelo INPC e aumento real de 0,6% em 2026. O mesmo modelo seria aplicado novamente em 2027.

O reajuste alcançaria salários e outros benefícios, como vale-alimentação, vale-refeição, auxílio-creche e Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

A proposta também trata de teletrabalho, combate ao assédio, riscos psicossociais e medidas para trabalhadores afetados pelo fechamento de agências.

Caso os bancários goianos rejeitem o texto, a assembleia poderá avançar para a discussão de uma possível greve. Sérgio, no entanto, ressaltou que o cenário ainda depende do resultado das urnas.

“Só após a assembleia para a gente definir. Não tenho uma certeza que eles vão deliberar pela greve”, afirmou.

Saúde Caixa concentra impasse

Entre os empregados da Caixa, o cenário é considerado mais delicado pelo sindicato. Segundo Sérgio, as condições envolvendo o Saúde Caixa (plano de saúde do banco) estão entre os principais motivos de insatisfação.

Na avaliação do sindicalista, existe uma tendência de rejeição da proposta entre os funcionários da instituição, embora a decisão só possa ser confirmada depois da votação.

“A possibilidade que a gente está tendo hoje, na conversa paralela, é que os funcionários da Caixa provavelmente vão rejeitar essa proposta apresentada pela Caixa Econômica Federal”, explicou.

Sérgio estima que a rejeição seja bastante provável. “Devido ao Saúde Caixa, é quase 80% de certeza que vai ter recusa da proposta”, afirmou.

Segundo ele, a preocupação está relacionada ao déficit do plano e ao impacto financeiro que as mudanças propostas podem representar para os empregados.

“O pessoal da Caixa não está concordando com o plano de saúde da Caixa porque o reajuste vai ser exorbitante. Eles provavelmente vão recusar, mas têm que participar da assembleia para decidir”, destacou.

O sindicato defende uma revisão desse ponto da negociação. Conforme Sérgio, chegou a ser discutida a possibilidade de retirar a questão do Saúde Caixa do acordo, mas a Caixa não teria aceitado essa alternativa.

“Nós queremos que o banco revise e até excluísse o Saúde Caixa dessa convenção, mas foi comunicado que não vai tirar. Então, talvez, negociar esse impasse”, explicou.

Vale lembrar que esta não é a primeira mobilização do ano. Em 20 de agosto, a categoria realizou um protesto de alerta no qual a Caixa Econômica Federal interrompeu o atendimento presencial durante todo o expediente, enquanto outros bancos paralisaram os serviços por duas horas em Goiás. 

Banco do Brasil também terá votação

Os empregados do Banco do Brasil também participam de uma votação própria entre esta quinta e sexta-feira. Assim como ocorre entre funcionários da Caixa e da rede privada, caberá aos trabalhadores decidir se aceitam ou rejeitam as condições apresentadas.

Por isso, uma eventual paralisação em Goiás não necessariamente atingiria todos os bancos da mesma forma. Cada grupo de trabalhadores avaliará os respectivos acordos antes da definição dos próximos passos.

Sérgio reforçou que o cenário nacional também permanece em construção, já que sindicatos de diferentes estados realizam assembleias e podem tomar decisões distintas.

Situação do BRB preocupa sindicato

Outro ponto levantado pelo presidente do SEEB-GO envolve o Banco de Brasília (BRB), que possui unidades em Goiás, incluindo agências em Goiânia, Anápolis e Rio Verde.

Segundo Sérgio, o banco possui negociação específica e, até o momento, ainda existe incerteza sobre a aplicação das condições negociadas nacionalmente.

“O banco, me parece que a princípio, esse ano não está querendo aplicar a convenção coletiva, o acordo proposto pela Fenaban”, afirmou.

O sindicalista relacionou a situação ao momento financeiro vivido pela instituição e disse que o sindicato acompanha o caso porque trabalhadores do BRB em Goiás também podem ser afetados.

Com as votações abertas até as 19h de sexta-feira, a definição sobre uma eventual adesão de Goiás às paralisações nacionais deve ocorrer somente após a apuração dos resultados das assembleias.

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Lara Duarte

Lara Duarte

Jornalista e pós-graduanda em Ciência Política, com atuação em jornal impresso, assessoria de comunicação e produção, reunindo experiência em diferentes frentes da comunicação.

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