Caminhoneira aposentada compra quadro por R$ 26 em brechó e anos depois descobre que o quadro pode valer uma fortuna de R$ 77 milhões

O que parecia apenas um presente curioso para uma amiga acabou se transformando em uma longa investigação envolvendo arte, perícia e milhões de dólares

Isabella Cavalcante Isabella Cavalcante -
Caminhoneira aposentada compra quadro por R$ 26 em brechó e anos depois descobre que o quadro pode valer uma fortuna de R$ 77 milhões
Teri Horton. (Foto: Reprodução)

Uma caminhoneira aposentada comprou um quadro por apenas R$ 26 em um brechó sem imaginar que a pintura poderia estar ligada a um dos artistas mais famosos dos Estados Unidos.

A compra aconteceu em 1992, quando Teri Horton encontrou a obra em uma loja de artigos usados em San Bernardino, na Califórnia. Ela pagou apenas US$ 5 pelo quadro porque queria presentear uma amiga.

No entanto, o presente acabou não dando certo. A pintura era grande demais para caber na casa da amiga.

Foi então que Horton decidiu tentar se desfazer da peça. E esse simples gesto mudou completamente a história.

Um professor percebeu algo diferente

Teri colocou o quadro à venda em uma garagem. Durante a tentativa de negociação, um professor de arte observou a pintura e percebeu uma semelhança com o estilo de Jackson Pollock.

Horton, que não conhecia o artista na época, decidiu investigar.

Jackson Pollock se tornou conhecido principalmente pelas pinturas abstratas produzidas com respingos, fios e gotas de tinta espalhados sobre a tela. O estilo, conhecido como drip painting, marcou sua trajetória e ajudou a transformá-lo em um dos principais nomes do expressionismo abstrato.

A partir daí, aquele quadro comprado por US$ 5 passou a ser analisado por especialistas.

Perícia encontrou possível ligação com o artista

Um especialista forense examinou a obra e encontrou uma impressão digital na parte de trás da tela.

Posteriormente, a perícia comparou essa marca com outras impressões associadas a Pollock e concluiu que existia uma correspondência. Outras análises também apontaram semelhanças entre materiais presentes na pintura e aqueles utilizados pelo artista.

Esses resultados fortaleceram a hipótese de que Horton poderia ter encontrado uma obra original.

No entanto, a descoberta não encerrou a discussão.

Afinal, o quadro é mesmo de Jackson Pollock?

Essa é a grande dúvida que acompanha a história até hoje.

Apesar das análises favoráveis, importantes especialistas e instituições do mercado de arte não reconheceram de forma definitiva a pintura como uma obra autêntica de Jackson Pollock.

Um dos principais problemas envolve a falta de uma procedência comprovada. Ou seja, não existe uma documentação completa capaz de mostrar o caminho percorrido pela obra desde a época em que Pollock estava vivo até ela aparecer no brechó.

Por isso, a atribuição continua sendo contestada.

E de onde surgiu a fortuna de R$ 77 milhões?

Caso a obra seja reconhecida definitivamente como autêntica, estimativas apontaram que ela poderia alcançar valores milionários.

A cifra divulgada para a pintura chegou a US$ 15 milhões, o equivalente a cerca de R$ 77 milhões na conversão usada na história.

No entanto, existe uma diferença importante: uma estimativa não significa que o quadro tenha sido vendido por esse valor.

O preço milionário depende diretamente da autenticação da obra. Sem um consenso definitivo sobre a autoria, o valor permanece ligado à possibilidade de que a pintura seja realmente um Pollock.

Uma compra de R$ 26 que virou documentário

A longa batalha de Teri Horton para provar a autenticidade do quadro chamou a atenção da imprensa e até virou tema de um documentário.

A história mostra como uma compra aparentemente sem valor pode se transformar em um grande mistério. No caso de Horton, porém, a resposta definitiva nunca foi simples.

Assim, o quadro comprado por apenas R$ 26 pode representar uma fortuna milionária — mas tudo depende de uma questão que continua sem consenso: a pintura é realmente uma obra de Jackson Pollock?

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