Fazendeiro coloca 50 galinhas-d’angola para ciscar no pasto e, com o tempo, percebe menos carrapatos, cigarrinhas e formigas, enquanto o plantel cresce para 500 aves e o gado começa a ganhar mais peso
Décadas depois, a experiência continua despertando curiosidade entre quem vive no campo

Uma experiência de manejo chamou atenção na zona da mata de Rondônia depois que um pequeno pecuarista passou a criar galinhas-d’angola soltas junto ao gado.
Jairdes Rodrigues começou com aproximadamente 50 aves em uma propriedade localizada na linha 152, a 18 quilômetros de Novo Horizonte do Oeste.
Segundo relato publicado em 2011, as aves passaram a consumir insetos encontrados na pastagem, incluindo cigarrinhas, formigas cabeçudas, lagartas e carrapatos.
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Aves ganharam espaço no manejo
Com o tempo, o criador observou uma redução dessas pragas no terreno e associou a melhora das condições do pasto à presença das galinhas-d’angola.
A propriedade tinha capacidade para aproximadamente 250 bovinos, principalmente animais destinados à produção de carne, além de manter uma atividade leiteira.
Na época, a produção chegava a cerca de 450 litros de leite por dia, enviados para laticínios da região, conforme a reportagem original.
Jairdes também afirmou que os animais de corte passaram a apresentar melhor desenvolvimento, em uma possível relação com a melhoria das condições encontradas no pasto.
É importante destacar que essa observação pertence ao relato do produtor e não comprova, sozinha, que as aves foram responsáveis diretamente pelo ganho de peso.
Plantel chegou a 500 adultas
O interesse pelas aves cresceu junto com o plantel, que alcançou aproximadamente 500 galinhas-d’angola adultas, criadas com apoio de chocadeiras próprias.
Naquele período, havia ainda encomendas de aproximadamente 600 pintinhos, mostrando que outros criadores também demonstravam interesse pela alternativa.
As galinhas-d’angola possuem comportamento de busca por alimento no solo e consomem diversos insetos, característica que pode contribuir para o controle natural de determinadas pragas.
Estudos recentes, porém, mostram que o uso dessas aves contra carrapatos precisa ser analisado com cuidado, pois elas também podem hospedar algumas espécies.
Uma pesquisa publicada no Journal of Medical Entomology não encontrou evidências suficientes para confirmar que galinhas-d’angola sejam um método eficaz de controle de carrapatos.
Por isso, especialistas tratam a criação dessas aves como possível ferramenta complementar, e não como substituta de medidas veterinárias adequadas.
Mesmo com essa ressalva, a experiência de Jairdes mostra como práticas simples de manejo podem despertar interesse entre pequenos produtores rurais.
O caso também reforça a importância de observar o comportamento dos animais e as condições da pastagem antes de adotar novas estratégias produtivas.
Na propriedade, as aves passaram de uma criação inicial modesta para um plantel expressivo, enquanto a experiência virou referência entre produtores interessados na região.
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