Há quase 43 anos, uma das maiores pepitas de ouro já encontradas foi descoberta por um garimpeiro brasileiro em Serra Pelada: a pedra tinha 60 kg, sendo mais de 56 kg de ouro puro
A peça atravessou gerações e permanece preservada como símbolo de uma época

Em 13 de setembro de 1983, o garimpeiro Júlio de Deus Filho encontrou em Serra Pelada, no Pará, uma enorme formação contendo ouro.
Batizada de Pepita Canaã, a peça pesa 60,8 quilos brutos e possui 56,61 quilos de ouro, segundo registros do Banco Central.
O achado impressiona ainda mais porque a Canaã seria apenas parte de uma formação estimada em aproximadamente 150 quilos, quebrada durante a retirada.
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A proporção de ouro na peça chega a cerca de 93% considerando os números oficiais de peso bruto e ouro contido, embora fontes usem percentuais diferentes.
O Banco Central registra a Canaã como a maior pepita de ouro em exposição no mundo, distinção diferente de dizer que ela foi a maior descoberta histórica.

(Imagem: Reprodução)
Por que ela é tão importante?
Grandes pepitas encontradas anteriormente na Austrália tinham peso superior, mas muitas acabaram derretidas ou desmontadas para retirada do metal precioso.
A Holtermann Nugget, por exemplo, encontrada na Austrália em 1872, pesava cerca de 235 quilos com a rocha, contendo aproximadamente 82 quilos de ouro.
Por isso, a Canaã ganhou destaque justamente por continuar preservada, permitindo que o público veja uma grande formação natural de ouro décadas após sua descoberta.
De Serra Pelada para Brasília
Depois de ser encontrada, a pepita foi adquirida em 1984 pelo Banco Central e incorporada ao acervo do Museu de Valores, em Brasília.
Naquele período, o Banco Central comprava ouro produzido nos garimpos, e a Canaã acabou preservada em vez de seguir para o processo tradicional de transformação.
O Museu de Valores reúne peças ligadas à história do dinheiro, da mineração e do ouro no Brasil, mantendo a Canaã como uma das principais atrações.
A história também ajuda a dimensionar a importância de Serra Pelada, que marcou profundamente a mineração brasileira durante a década de 1980.
Mais de quatro décadas depois, o achado de Júlio de Deus Filho continua chamando atenção não apenas pelo volume de ouro, mas também pela história preservada.
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