Cesta básica em Goiânia consome mais da metade do salário mínimo, aponta estudo

Trabalhador que recebe o piso nacional precisou dedicar mais de 13 dias de serviço apenas para comprar alimentos essenciais em julho

Lara Duarte Lara Duarte -
Cesta básica em Goiânia comprometeu 52,87% do salário mínimo líquido no mês de julho. (Foto: Ilustração/Valter Campanato/Agência Brasil)
Cesta básica em Goiânia comprometeu 52,87% do salário mínimo líquido no mês de julho. (Foto: Ilustração/Valter Campanato/Agência Brasil)

O peso da alimentação continua alto no orçamento de quem recebe um salário mínimo em Goiânia. Em julho de 2026, a cesta básica custou R$ 792,79 na capital e comprometeu 52,87% do salário mínimo líquido.

O levantamento é da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O cálculo considera o salário mínimo de R$ 1.621 e desconta a contribuição de 7,5% para a Previdência Social.

Na prática, isso significa que mais da metade da renda líquida de quem recebe o piso nacional precisaria ser destinada somente à compra dos alimentos que integram a cesta básica.

Mais de 107 horas de trabalho

Outro dado ajuda a dimensionar o impacto no bolso. Em julho, um trabalhador remunerado pelo salário mínimo precisou trabalhar 107 horas e 36 minutos para conseguir comprar a cesta básica em Goiânia.

Considerando uma jornada de oito horas por dia, o período equivale a aproximadamente 13 dias e meio de trabalho efetivo.

Apesar do peso elevado, houve uma pequena melhora em relação a junho. No mês anterior, a cesta comprometia 54,77% do salário mínimo líquido.

Já em julho de 2025, o percentual era de 52,36%, ligeiramente abaixo do registrado agora.

Renda média também ajuda a comparar

Quando a comparação considera a remuneração média dos trabalhadores da capital, o peso da cesta diminui, embora continue relevante.

Dados do IBGE divulgados em novembro de 2025 apontam remuneração média de R$ 2.806,95 em Goiânia.

Nesse cenário, uma cesta de R$ 792,79 representa cerca de 28% dessa remuneração média.

O indicador, porém, deve ser observado com cautela. Por se tratar de uma média, ele reúne trabalhadores com diferentes níveis salariais e não representa necessariamente quanto cada morador da capital recebe.

Entre os municípios goianos com mais de 50 mil habitantes, Goiânia aparece com a maior remuneração média, seguida por Cristalina, com R$ 2.778, e Senador Canedo, com R$ 2.495,51, conforme os dados apresentados.

Inflação chega a 4,44% em 12 meses

O cenário também pode ser observado pela inflação oficial.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,07% em julho de 2026.

No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 4,44%. Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) apresentou variação negativa de 0,01% no mês.

Uma simulação da calculadora do IPCA mostra que R$ 735,18 em julho de 2025, valor da cesta básica no período correspondente,  equivaleriam a R$ 769,84 em julho deste ano, considerando a inflação acumulada no período. A correção chega a 4,71%.

Os indicadores não medem exatamente a mesma coisa. Enquanto o IPCA acompanha uma cesta ampla de produtos e serviços consumidos pelas famílias, o levantamento da cesta básica concentra-se em alimentos essenciais.

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Lara Duarte

Lara Duarte

Jornalista e pós-graduanda em Ciência Política, com atuação em jornal impresso, assessoria de comunicação e produção, reunindo experiência em diferentes frentes da comunicação.

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