Polícia de Goiás prende homem suspeito de enganar trabalhadores e jovens com falsas oportunidades no futebol da Alemanha
Investigação aponta pelo menos dez vítimas em diferentes casos envolvendo promessas de emprego e oportunidades no futebol

A Polícia Civil (PC) prendeu preventivamente Luiz Reginaldo Rodrigues de Moraes, investigado por suspeita de aplicar golpes envolvendo falsas promessas de trabalho e oportunidades no futebol profissional na Alemanha.
A operação foi realizada pela 7ª Delegacia Distrital de Polícia de Goiânia, com apoio do Grupo Especial de Investigações Criminais (Geic), e também cumpriu mandados de busca e apreensão em Goiás, Santa Catarina e Tocantins.
Segundo a corporação, pelo menos dez vítimas já foram identificadas em diferentes procedimentos relacionados ao investigado, número que ainda pode aumentar com o avanço das apurações.
A investigação mais recente começou depois que quatro trabalhadores da construção civil, moradores de Santa Catarina, procuraram a PC.
Eles relataram que teriam sido convencidos a viajar para Goiás após receberem uma promessa de emprego na Alemanha, com salário de aproximadamente 3 mil euros, além de moradia e outras despesas custeadas.
Ao longo do processo, os trabalhadores fizeram sucessivos pagamentos relacionados a contratos, documentação e passagens aéreas. A viagem, porém, não aconteceu.
Segundo a corporação, eles permaneceram cerca de dois meses longe das famílias, sem trabalhar e gastando os poucos recursos que possuíam.
Em uma das tentativas de embarque, o grupo chegou a se deslocar até Brasília acreditando que tinha passagens válidas. No aeroporto, descobriu que os bilhetes não existiam.
Sem dinheiro, os trabalhadores permaneceram vários dias na capital federal, chegaram a dormir na rua e dependeram de transferências de R$ 50 e R$ 100 enviadas por familiares para conseguir se alimentar.
Casos envolvendo jovens jogadores
Durante as diligências, a polícia identificou outros procedimentos envolvendo promessas semelhantes.
Entre eles estão casos registrados em 2016, quando quatro jovens atletas teriam sido levados à Alemanha com a promessa de iniciar carreira no futebol profissional, recebendo salário, hospedagem e alimentação.
Segundo a corporação, ao chegarem ao país, os jogadores encontraram uma realidade diferente da oferecida, com falta de estrutura, problemas de moradia e dificuldades para se manter.
Outros dois adolescentes também aparecem em procedimentos posteriores. As famílias relataram ter feito pagamentos diante da promessa de que os jovens, entre 16 e 17 anos, seriam levados para atuar em clubes alemães, mas os compromissos não teriam sido cumpridos.
Passaportes com dados diferentes
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam três passaportes atribuídos a Luiz Reginaldo, mas com nomes, datas e locais de nascimento diferentes.
Os documentos serão analisados para verificar a autenticidade, a origem e uma possível utilização de dados falsos. A polícia também apreendeu um carregador com 14 munições intactas de calibre 9 mm e uma pistola de airsoft.
A procedência das munições e uma eventual ligação delas com alguma arma de fogo serão investigadas separadamente.

Pistola, munição e documentos apreendidos pela Polícia Civil. (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Carro e valores bloqueados
A operação também resultou na apreensão de um Jeep Compass utilizado pelo investigado, inclusive no deslocamento das vítimas de Santa Catarina até Goiás.
Segundo a corporação, a medida busca preservar o patrimônio para uma eventual reparação dos prejuízos sofridos pelas vítimas. A Justiça também determinou o bloqueio de ativos financeiros até os limites dos valores já identificados na investigação.
Além disso, foram autorizados o acesso aos dados dos aparelhos eletrônicos apreendidos e outras medidas patrimoniais.
Polícia procura outras possíveis vítimas
A investigação apura ainda se outras pessoas participaram das diferentes etapas dos casos, desde a captação das vítimas até a intermediação de passagens e o recebimento de valores.
A Polícia Civil também decidiu divulgar a imagem do investigado diante da possibilidade de existirem outras vítimas ainda não identificadas.
A orientação é para que pessoas que tenham sido abordadas, realizado pagamentos ou sofrido prejuízos em circunstâncias semelhantes procurem a corporação.
As investigações continuam para identificar novos casos, esclarecer a participação de cada envolvido e dimensionar a extensão dos prejuízos.
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