Hospital define futuro de médica que orientou equipe a não dar alta a pacientes petistas antes das eleições

Caso ganhou novo desdobramento após repercussão de mensagem atribuída à profissional em grupo interno da unidade

Lara Duarte Lara Duarte -
Médica foi afastada das funções no Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara após repercussão de mensagem atribuída a ela em grupo interno de profissionais. (Foto: Google Maps/Reprodução)
Médica foi afastada das funções no Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara após repercussão de mensagem atribuída a ela em grupo interno de profissionais. (Foto: Google Maps/Reprodução)

A médica Marcella Segato de Sousa Melo, suspeita de orientar profissionais a não concederem alta a pacientes durante o fim de semana das eleições por considerar que “a maioria é petista”, foi afastada das funções no Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara (HMMCC), em Goiânia. A medida foi confirmada pela unidade nesta terça-feira (06).

Marcella ocupava função de chefia na área de ginecologia e obstetrícia. No entanto, o hospital não informou por quanto tempo ela permanecerá afastada nem esclareceu se a decisão tem caráter cautelar ou se resulta de algum procedimento administrativo já concluído.

O afastamento ocorre após a divulgação de uma mensagem atribuída à médica em um grupo interno de profissionais da unidade. No texto, enviado às vésperas do primeiro turno, ela teria escrito: “Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta para ninguém, a maioria é petista”.

Caso chegou ao MPF

A situação já havia sido denunciada ao Ministério Público Federal (MPF) na sexta-feira (02). A representação foi apresentada pelo advogado Alan Marques, que pediu a apuração da conduta e de eventual uso da posição de chefia e da estrutura de uma unidade pública com finalidade político-eleitoral.

Até o momento, porém, não há informação de que pacientes tenham efetivamente ficado internados sem indicação médica por causa da orientação atribuída à profissional.

Quando o caso veio a público, o hospital afirmou que manifestações realizadas no grupo tinham caráter pessoal e não representavam o posicionamento institucional.

Além disso, ressaltou que decisões de internação, permanência e alta devem seguir exclusivamente critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança.

Apurações seguem em andamento

A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia também informou que adotou medidas administrativas para investigar o episódio.

Já o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) afirmou que denúncias relacionadas à conduta de médicos são apuradas sob sigilo, conforme as regras do processo ético-profissional.

Segundo o Cremego, esclarecimentos também são solicitados ao responsável técnico pela instituição envolvida.

Por outro lado, a médica ainda não havia se manifestado publicamente sobre o afastamento até a última atualização das reportagens consultadas.

Ainda não há, contudo, definição pública sobre eventual retorno às funções ou possíveis consequências administrativas após a conclusão das investigações.

Médica se manifesta

Após a repercussão do caso e a confirmação do afastamento, Marcella Segato divulgou uma nota à imprensa em que pediu desculpas às pacientes, familiares, colegas, internos e ao hospital.

A médica afirmou que as mensagens não se transformaram em conduta e garantiu que nenhuma paciente teve alta atrasada ou negada por motivo político.

Segundo Marcella, todas as decisões foram tomadas exclusivamente com base em critérios clínicos. Ela também disse que nenhuma avaliação considerou preferência política e afirmou que o voto deve ser respeitado sem qualquer tipo de retaliação.

Na manifestação, a médica acrescentou que atua desde 2017 e que já realizou milhares de partos de mulheres de diferentes origens e convicções.

Abaixo, a nota na íntegra:

“Nota à imprensa

Peço desculpas às pacientes e às suas famílias, aos colegas, aos internos e ao hospital. Lamento profundamente que minhas mensagens tenham destoado do compromisso que sempre orientou minha atuação profissional.

Essas mensagens, porém, não se transformaram em conduta nem resultaram em procedimentos inadequados. Nenhuma paciente teve a alta atrasada ou negada. Todas foram avaliadas e liberadas exclusivamente por critérios clínicos, como sempre ocorreu.

Da mesma forma, nenhuma avaliação levou em conta preferência política. O voto é secreto e deve ser respeitado, sem qualquer tipo de retaliação.

Desde 2017, realizei milhares de partos de mulheres de diferentes origens e convicções. É esse compromisso que verdadeiramente orienta minha vida profissional.

Marcella Segato”

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Lara Duarte

Lara Duarte

Jornalista e pós-graduanda em Ciência Política, com atuação em jornal impresso, assessoria de comunicação e produção, reunindo experiência em diferentes frentes da comunicação.

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