Energia solar vira alvo de proibições após moradores associarem painéis a riscos à saúde, enquanto especialistas dizem que não há comprovação científica e ameaçam atrasar obras, investimentos e a transição energética em todo o país
Uma reação crescente em comunidades rurais está colocando empreendimentos milionários diante de obstáculos que vão muito além da engenharia

A expansão da energia solar nos EUA encontrou um obstáculo inesperado. Em diferentes comunidades, moradores passaram a pressionar autoridades para barrar grandes usinas fotovoltaicas por temores relacionados à saúde e ao meio ambiente.
Entre as preocupações aparecem campos eletromagnéticos, ruído de equipamentos, reflexo da luz e eventual contaminação do solo por componentes dos módulos. Até agora, porém, não há evidências científicas sólidas de que usinas solares operando dentro das normas provoquem os problemas de saúde atribuídos a elas.
Isso não impediu que a resistência influenciasse decisões locais.
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Projetos acabam barrados
Em Michigan, um município proibiu em 2023 grandes projetos solares em áreas destinadas à agricultura após oposição de moradores. Já o condado de St. Clair adotou regras específicas para empreendimentos solares e sistemas de armazenamento após debates sobre possíveis impactos à população.
Ohio também registrou uma disputa recente. Autoridades rejeitaram a licença de um projeto diante da forte oposição local, que incluía preocupações relacionadas à saúde.
As discussões acontecem enquanto a fonte fotovoltaica continua avançando. No Brasil, por exemplo, a tecnologia já permite que comunidades reduzam a dependência de geradores a diesel.
O que dizem as evidências
Um dos argumentos recorrentes envolve os campos eletromagnéticos gerados pelos equipamentos. Os níveis medidos nas proximidades de instalações fotovoltaicas, entretanto, tendem a cair rapidamente conforme aumenta a distância.
A Organização Mundial da Saúde também afirma que as evidências disponíveis não confirmam consequências negativas para a saúde causadas pela exposição cotidiana a campos eletromagnéticos de baixa intensidade.
Isso não significa que grandes usinas estejam livres de impactos. Uso do solo, paisagem, descarte dos módulos, biodiversidade, ruído dos inversores e distância das residências são questões que precisam entrar no licenciamento.
O problema surge quando riscos possíveis e tecnicamente administráveis são tratados como danos comprovados.
A resistência local pode atrasar licenças, elevar custos e até fazer empresas desistirem de determinados mercados. Paralelamente, consumidores continuam avaliando quanto custa instalar energia solar em uma residência e precisam acompanhar mudanças nas regras da conta de energia.
Assim, a disputa nos Estados Unidos mostra que a transição energética depende não apenas de tecnologia e investimento, mas também da aceitação das comunidades onde os projetos serão instalados.
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