Anvisa proíbe medicamento, manda retirar lotes do mercado e consumidores devem parar de utilizar o produto

Três lotes de um medicamento usado contra o câncer entraram na mira da Anvisa depois que a própria fabricante não reconheceu as unidades como originais

Rebeca Ferreira Rebeca Ferreira -
Anvisa proíbe medicamento
(Imagem: Reprodução/Senado Federal/Pexels)

Quem utiliza medicamentos de uso contínuo ou tratamentos de alta complexidade dificilmente espera descobrir que uma embalagem aparentemente legítima pode não ter sido produzida pela empresa responsável pelo produto.] Desta vez, o alerta envolve um remédio utilizado no tratamento de determinados tipos de câncer e exige atenção imediata ao número impresso na embalagem.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou a apreensão de lotes falsificados de Enhertu e proibiu que essas unidades continuem armazenadas, vendidas, distribuídas, transportadas ou utilizadas. A medida foi publicada em setembro de 2026 e não significa, porém, que todas as unidades legítimas do medicamento tenham sido proibidas.

Qual é o medicamento proibido pela Anvisa

A determinação atinge o Enhertu 100 mg (trastuzumabe deruxtecana) dos lotes:

  • 432221
  • 432844
  • 432862

A Daiichi Sankyo Brasil Farmacêutica, responsável pelo registro do medicamento no país, informou à autoridade sanitária que não reconhece esses lotes como produtos originais. Por esse motivo, as unidades foram classificadas como falsificadas e passaram a ser alvo de apreensão.

A proibição vale especificamente para os lotes relacionados na Resolução-RE nº 3.738, de 22 de setembro de 2026. O Enhertu original e devidamente regularizado continua registrado no Brasil.

Para que serve o Enhertu

O Enhertu é um medicamento biológico administrado por infusão intravenosa e utilizado em diferentes situações oncológicas.

Seu princípio ativo combina um anticorpo direcionado à proteína HER2 com um agente capaz de causar a morte das células tumorais. Entre as indicações aprovadas no país estão determinados casos de câncer de mama HER2-positivo, incluindo situações de doença metastática ou que não pode ser retirada cirurgicamente.

O produto é de uso restrito a estabelecimentos de saúde e depende de prescrição e acompanhamento médico.

Por que a falsificação preocupa

Medicamentos falsificados não oferecem as mesmas garantias de identidade, qualidade, segurança e eficácia de um produto regularizado. Dependendo da adulteração, podem apresentar quantidade inadequada do princípio ativo, substâncias diferentes das declaradas ou condições desconhecidas de fabricação e armazenamento.

No caso dos lotes de Enhertu atingidos pela decisão, a razão apresentada para a medida preventiva foi justamente o fato de a empresa detentora do registro não reconhecer as unidades como legítimas.

O que fazer se tiver um desses lotes

Quem identificar os números 432221, 432844 ou 432862 não deve utilizar aquela unidade e precisa entrar em contato imediatamente com o serviço de saúde responsável pelo tratamento e com a fabricante para verificar a procedência e receber orientação.

A Daiichi Sankyo mantém uma relação de distribuidores homologados e orienta que o Enhertu seja adquirido somente por canais autorizados. A empresa também disponibiliza atendimento para pacientes e profissionais que tenham dúvidas sobre a autenticidade do produto.

A Anvisa recomenda, de maneira geral, que suspeitas de medicamentos falsificados não sejam utilizadas e sejam comunicadas à detentora do registro e às autoridades sanitárias.

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