Entenda por que moradores de Goiânia têm deixado o carro de lado e utilizado mais o transporte coletivo
Pesquisa aponta queda de 41% para 33% entre quem utiliza automóvel com maior frequência e mostra aumento no tempo diário de deslocamento

Uma mudança de comportamento tem sido cada vez mais perceptível entre os moradores de Goiânia: o carro tem sido deixado de lado e o transporte público tem ganhado espaço como meio de transporte diário.
Ao menos é o que mostra a pesquisa Viver nas Cidades – Mobilidade Urbana, promovida pela Ipsos em parceria com o Programa Cidades Sustentáveis e o Instituto Cidades Sustentáveis.
Conforme os dados do levantamento, o percentual de condutores que usam o carro como meio de transporte mais frequente sofreu uma queda expressiva de 8 pontos percentuais na capital, recuando de 41% em 2025 para 33% em 2026.
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Em contrapartida, o uso do transporte coletivo registrou um avanço considerável, subindo de 21% para 28% no mesmo período. Esse movimento também se reflete no uso do transporte por aplicativo, incluindo carros e motos, que saltou de 10% para 14%.
Uma das principais explicações para essa migração de modal reside na piora das condições do trânsito local.
Ainda segundo a pesquisa, o tempo médio que o goianiense gasta diariamente nos deslocamentos aumentou em 15 minutos, saltando de 1h38 em 2025 para 1h53 em 2026. Esse acréscimo no tempo perdido no trânsito ajuda a entender o desgaste de se utilizar o transporte individual diariamente.
Desafios para o transporte público
Para Glauco Gonçalves, professor do programa de pós-graduação em Projeto e Cidade (PPGProcidade) da Universidade Federal de Goiás (UFG), embora os dados de transição sejam positivos, eles não representam uma transformação estrutural robusta.
Para o pesquisador, a mudança de comportamento não vem acompanhada de melhorias reais na infraestrutura urbana.
“Não acho que possamos olhar para esses números e entendê-los como uma transformação mais robusta, mais significativa. Porque esse dado não está acompanhado de um conjunto de políticas que sustentem uma mudança estrutural”, afirma.
Para Glauco, a migração para o transporte coletivo reflete mais a perda de renda da população do que a atratividade do sistema. O fator econômico individual se sobrepõe à qualidade do serviço oferecido.
“Tudo indica que tem mais a ver com a dificuldade da população de manter o carro funcionando do que com políticas públicas que ampliaram ou se tornaram mais convidativas ao uso do transporte público”, acrescenta.
Fatores de incentivo e eficiência
Além do fator tempo, a pesquisa Viver nas Cidades ainda mostra que a percepção de melhorias no sistema atua como um forte atrativo para novos usuários.
Entre os goianienses que ainda não utilizam o transporte público, 48% afirmam que passariam a usá-lo se o tempo de espera nos pontos e terminais fosse reduzido.
Outro forte estímulo apontado por 45% dos entrevistados é a velocidade do trajeto, indicando que prefeririam o transporte coletivo se ele fosse mais rápido do que as demais opções.
Ou seja, a busca por escapar dos congestionamentos e a demanda por viagens mais ágeis são cruciais para o futuro da mobilidade em Goiânia.
“Você teria coragem de sair de casa todo dia para trabalhar no horário da cidade cheia, com o fluxo do pico? Teria coragem de voltar à tarde, às 6h da tarde, de bicicleta no meio dos carros, do jeito que o trânsito de Goiânia é? […] Não adianta a gente ter consciência se a cidade não disponibiliza as condições para que ela realize”, conclui Glauco Gonçalves.
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