Não é no Rio de Janeiro, nem em São Paulo: a segunda maior favela do Brasil fica na região com a maior renda do país

Comunidade reúne mais de 70 mil moradores e está em uma unidade da Federação que lidera o ranking nacional de rendimento domiciliar per capita

Rebeca Ferreira Rebeca Ferreira -
Comunidade no Brasil
(Foto: Ilustração/Pexels)

Quando se pensa nas maiores favelas brasileiras, Rio de Janeiro e São Paulo costumam ser as primeiras referências. Mas os números mais recentes do Censo revelam uma realidade diferente: a segunda maior favela do Brasil está em outro ponto do país, justamente em uma unidade da Federação que apresenta o maior rendimento domiciliar per capita.

O contraste chama atenção porque coloca, lado a lado, dois retratos aparentemente opostos do país: de um lado, uma das áreas de maior concentração de renda; de outro, uma comunidade com dezenas de milhares de moradores e um histórico de carências urbanas.

A segunda maior favela do Brasil fica no Distrito Federal

Segundo o Censo Demográfico 2022, a Rocinha, no Rio de Janeiro, era a favela e comunidade urbana mais populosa do país, com 72.021 moradores. Logo depois aparecia o Sol Nascente, no Distrito Federal, com 70.908 habitantes. Paraisópolis, em São Paulo, vinha na terceira posição, com 58.527 pessoas.

O Sol Nascente está localizado na Região Administrativa do Sol Nascente/Pôr do Sol, no Distrito Federal. O IBGE classifica o território oficialmente como Favela e Comunidade Urbana.

A dimensão do local ajuda a explicar a posição no ranking. O Censo identificou 12.348 favelas e comunidades urbanas no Brasil, onde viviam 16,4 milhões de pessoas em 2022, o equivalente a 8,1% da população brasileira.

A comunidade está justamente na unidade mais rica do país

O contraste fica ainda mais evidente quando entram os dados de renda.

Em 2025, o Distrito Federal apresentou rendimento nominal mensal domiciliar per capita de R$ 4.538, o maior entre todas as unidades da Federação. A média brasileira foi de R$ 2.316.

Isso não significa, naturalmente, que os moradores do Sol Nascente tenham rendimento semelhante ao observado para o Distrito Federal como um todo. O indicador é uma média da unidade federativa e reúne realidades socioeconômicas bastante diferentes.

A própria existência de uma comunidade desse tamanho no território mostra como a renda de uma região pode esconder desigualdades profundas dentro do mesmo espaço urbano.

O crescimento do Sol Nascente veio acompanhado de desafios urbanos

O território começou como uma área rural vinculada à antiga Região Administrativa de Ceilândia e cresceu rapidamente. O IBGE já registrava problemas relacionados à infraestrutura, atendimento médico e transporte público durante o trabalho de campo do Censo.

Nos anos seguintes, obras de drenagem, pavimentação e equipamentos públicos passaram a fazer parte das políticas voltadas à região. O governo do Distrito Federal informou que, desde 2019, cerca de R$ 600 milhões haviam sido investidos em infraestrutura e equipamentos públicos no Sol Nascente/Pôr do Sol.

Sob essa perspectiva, a localização do Sol Nascente não é apenas uma curiosidade estatística. Ela expõe uma contradição urbana: estar dentro de uma das áreas de maior renda do país não garante, por si só, acesso equivalente à infraestrutura, ao transporte, ao lazer, à saúde e às demais possibilidades oferecidas pela cidade.

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Rebeca Ferreira

Rebeca Ferreira

Estudante de Publicidade e Propaganda na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária do Portal 6. Atua na equipe desde setembro de 2026.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.

+ Notícias