Polícia poderá usar inteligência artificial para identificar comportamentos e tentar evitar crimes antes que aconteçam, avalia Fábio Vilela
Delegado titular da 3ª DRP de Anápolis explicou como a tecnologia já auxilia na localização de procurados e no cruzamento de dados e pode ampliar a capacidade de prevenção das forças de segurança

A inteligência artificial pode ampliar a capacidade da polícia de prevenir crimes ao identificar padrões de comportamento e alertar as forças de segurança sobre situações que merecem atenção.
A avaliação é do delegado Fábio Vilela, titular da 3ª Delegacia Regional de Polícia (DRP) de Anápolis, que abordou o assunto durante entrevista ao Portal 6 Ao Vivo, nesta terça-feira (29).
Segundo ele, a tecnologia já auxilia na identificação de pessoas, na leitura de placas de veículos procurados e no cruzamento de informações utilizadas em investigações. O próximo avanço pode estar no treinamento de sistemas para reconhecer padrões associados a determinadas práticas criminosas.
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“No futuro a gente pode tentar prevenir determinadas práticas de crime, treinando a inteligência artificial a identificar padrões de comportamento”, afirmou.
A possibilidade, explicou Vilela, é que essas ferramentas passem a sugerir ações às equipes policiais a partir da análise das informações. Trata-se de uma perspectiva de uso da tecnologia para apoiar a atuação dos profissionais e tornar mais rápida a identificação de situações que precisam ser investigadas.
A análise reúne a experiência do delegado na atividade policial e na formação de profissionais da área. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Vilela é graduado em Direito pela mesma instituição e possui MBA em Inteligência em Segurança Pública, além de especializações em Ciências Criminais, Direito Constitucional e Gestão Pública.
Delegado de Polícia de Classe Especial, ele também atua como professor de Inteligência Estratégica em Segurança Pública e de Mediação de Conflitos e Relações Interpessoais na Escola Superior da Polícia Civil (PC) de Goiás.
Investigações mais rápidas
Durante a entrevista, Vilela destacou que uma das contribuições da inteligência artificial está na capacidade de analisar grandes volumes de dados em menos tempo.
As investigações podem reunir informações bancárias, imagens e dados de telecomunicações. Com ferramentas adequadas, esses materiais podem ser analisados em conjunto, facilitando a identificação de relações que demorariam mais para ser encontradas em uma consulta manual.
“A inteligência artificial, dependendo do sistema, ela consegue fazer uma leitura integral disso e me dá o resultado mais rápido”, explicou.
O reconhecimento facial e a identificação de placas também ajudam a localizar pessoas e veículos procurados. Nesses casos, a tecnologia permite comparar o que é captado pelas câmeras com as informações disponíveis nos sistemas.
Câmeras como apoio à polícia
Vilela também apontou a evolução do monitoramento por câmeras. Inicialmente mais presente em espaços privados, o recurso passou a integrar estratégias do poder público, como o controle do trânsito, e ganhou aplicações em viaturas, capacetes, uniformes e espaços públicos.
Com a inteligência artificial, esses equipamentos podem oferecer mais do que o registro das imagens. Os sistemas passam a auxiliar o operador na análise contínua do que é captado, chamando a atenção para situações que poderiam passar despercebidas, especialmente em locais com grandes aglomerações.
Outra aplicação citada pelo delegado é a reprodução de acidentes de trânsito em ambientes virtuais. Softwares permitem apresentar a dinâmica de uma ocorrência sem a necessidade de interromper uma rodovia para realizar a reprodução no próprio local.
Integração entre estados
A integração entre forças de segurança é outro campo em que Vilela vê potencial para o uso da tecnologia. O delegado citou situações em que criminosos deixam Goiás e procuram outros estados para se esconder.
Segundo ele, parte dessa comunicação ainda depende da troca de informações entre servidores e instituições. Sistemas mais integrados poderiam acelerar a circulação dos dados e facilitar o trabalho das equipes.
“Se a gente realmente tiver a ferramenta da inteligência artificial para poder dinamizar essa comunicação, nós vamos ter muito mais rapidez, fluidez nos dados, nas informações”, afirmou.
A entrevista completa está disponível no Portal 6 Ao Vivo, programa exibido de segunda a sexta-feira, às 18h30, no canal oficial do Portal 6 no YouTube.
Confira a entrevista na íntegra:
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