Por que o cocô dos pinguins fica rosa e como essa coloração pode ser vista do espaço por cientistas

O que parece apenas uma curiosidade da natureza também virou uma ferramenta usada por cientistas para acompanhar mudanças no ambiente antártico

Isabella Cavalcante Isabella Cavalcante -
pinguins
(Foto: Reprodução/Alan Arrais/NBR/Agência Brasil)

Quem olha para uma colônia de pinguins na Antártida pode encontrar uma cena curiosa: grandes áreas do solo aparecem cobertas por manchas rosadas ou alaranjadas.

A coloração não vem das rochas e também não tem relação com algum fenômeno estranho. Ela está ligada diretamente ao que os animais comem.

Os pinguins-de-adélia que consomem bastante krill produzem um guano com tonalidade rosada. Já uma alimentação com maior presença de peixes deixa os resíduos mais acinzentados.

A cor revela o que os pinguins comem

O krill é um pequeno crustáceo que ocupa uma posição importante na cadeia alimentar da Antártida. Quando aparece com mais frequência na dieta dos pinguins, seus pigmentos acabam influenciando a coloração dos resíduos.

O pesquisador Casey Youngflesh, da Clemson University, liderou um estudo que analisou imagens de satélite e amostras de guano para relacionar essas diferentes tonalidades à alimentação das aves.

A equipe analisou três décadas de imagens do satélite Landsat e mais de 100 locais ao redor da Antártida. O resultado permitiu relacionar a dieta dos pinguins às condições do gelo marinho.

Como o cocô pode ser visto do espaço?

A explicação está na quantidade. As colônias de pinguins produzem tanto guano que ele se espalha por grandes áreas das ilhas e regiões costeiras.

Assim, quando um satélite registra imagens dessas áreas, as manchas rosadas podem aparecer claramente no terreno. Os pesquisadores conseguem então localizar colônias e analisar a coloração sem precisar visitar cada local pessoalmente.

Mais do que localizar os animais, essa técnica ajuda a acompanhar mudanças na alimentação. Regiões com menos gelo marinho apresentaram maior dependência do krill, enquanto áreas com mais gelo tiveram maior presença de peixes na dieta.

Um sinal do que acontece na Antártida

Por isso, o guano colorido acabou se transformando em uma espécie de pista deixada pelos próprios pinguins.

Ao acompanhar essas mudanças por imagens de satélite, os cientistas conseguem estudar como alterações no gelo marinho afetam a disponibilidade de alimento e, consequentemente, a vida das colônias.

O estudo liderado por Youngflesh também aponta que os pesquisadores estão desenvolvendo modelos para continuar usando dados dos satélites Landsat 8 e 9 no acompanhamento da alimentação dos pinguins e das mudanças ambientais.

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Isabella Cavalcante

Isabella Cavalcante

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária do Portal 6. Atua na equipe desde agosto de 2026.

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