DNA põe fim a disputa de mais de 10 anos por herança de R$ 500 milhões deixada pelo fundador das Casas Bahia
Exames genéticos afastaram vínculo de paternidade e fizeram família desistir da ação que mantinha 1/8 do patrimônio de Samuel Klein reservado pela Justiça

Uma disputa judicial que atravessou mais de uma década e mantinha parte da herança de Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, bloqueada chegou a um ponto decisivo.
A família de Moacyr Ramos de Paiva Agustinho Júnior desistiu da ação que tentava reconhecê-lo como filho do empresário, morto em 2014. A decisão veio após exames de DNA afastarem o vínculo biológico alegado no processo.
Moacyr havia entrado na Justiça afirmando ser filho de Samuel Klein, fruto de um relacionamento do empresário com uma ex-funcionária.
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Por causa da disputa, a Justiça determinou, em 2016, que 1/8 do patrimônio permanecesse reservado até que a questão da paternidade fosse resolvida.
O processo continuou mesmo depois da morte de Moacyr, em 2021, sendo levado adiante pela viúva e pelos três filhos.
A virada aconteceu em 2026, quando exames genéticos passaram a fazer parte do caso.
Um dos laudos apontou 25,01% de probabilidade de parentesco pelos marcadores autossômicos, mas uma análise mais específica do cromossomo Y apresentou exclusão em 13 pontos entre Saul Klein, filho de Samuel, e Mikhael, neto de Moacyr.
Como o cromossomo Y é transmitido pela linhagem paterna, o resultado foi usado para afastar a possibilidade de que os dois descendam do mesmo homem.
Outro exame particular apresentado durante o processo também indicou ausência de vínculo genético.
Depois dos resultados, a família de Moacyr assinou a renúncia material e processual e pediu o cancelamento das restrições que permaneciam sobre os bens.
A desistência também foi apresentada no Superior Tribunal de Justiça, onde havia um recurso relacionado à ação. Os pedidos ainda dependem de homologação judicial.
Com isso, uma das principais barreiras para a conclusão do inventário de Samuel Klein deixa de existir.
A partilha, porém, ainda não está completamente encerrada.
Saul Klein questiona desde 2023 o valor do patrimônio declarado e sustenta que os bens deixados pelo pai seriam superiores aos cerca de R$ 500 milhões previstos em um testamento feito em 2013.
Ou seja, o exame de DNA resolveu a longa discussão sobre a suposta paternidade, mas ainda existem outras questões judiciais envolvendo a herança.
Mesmo assim, o fim dessa disputa permite que o inventário avance depois de anos com uma parte considerável do patrimônio mantida sob restrição.
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