Você sabe o que significa CAOA? A incrível história do homem que criou a gigante bilionária do setor automotivo com fábrica em Goiás
De uma concessionária em dificuldades na Paraíba à produção de veículos em Anápolis, um médico transformou o próprio nome em marca

Antes de fabricar carros em Goiás, a CAOA começou com um carro que seu fundador comprou, mas nunca recebeu.
A compra frustrada levou um médico paraibano a negociar uma concessionária falida e abriu caminho para uma empresa que, décadas depois, alcançaria receita bilionária.
A tentativa de resolver o prejuízo colocou Carlos Alberto de Oliveira Andrade à frente de uma revenda e deu início à história da empresa que mais tarde construiria uma fábrica em Anápolis.
- Como tirar o cheiro de mofo das toalhas que você já lavou várias vezes e não saiu, e deixá-las cheirosas com um passo simples
- Relexão de Bruce Lee sobre bondade: “Esperar que a vida te trate bem porque você é uma boa pessoa é como esperar que um tigre ou um leão não te ataquem porque você é vegetariano”
- Governo vai exigir novo documento para brasileiros que recebem benefícios do INSS e programas sociais
O episódio tem um detalhe que costuma desaparecer quando essa trajetória é contada rapidamente. Em entrevista à IstoÉ Dinheiro, em 2007, Andrade relatou que chegou a comprar e receber um primeiro Landau, com câmbio manual.
Depois de mostrá-lo a um irmão, vendeu o automóvel e encomendou outro, desta vez automático. E foi o segundo carro que a concessionária não entregou.
A revenda da Ford de Campina Grande enfrentava dificuldades financeiras. Em vez de simplesmente receber da loja o valor pago pelo automóvel, Andrade negociou a compra do estabelecimento.
Em 1979, o cirurgião entrou para um ramo no qual, até então, figurava como cliente.
Do consultório às concessionárias
A mudança de profissão não significou começar do zero como vendedor. Andrade contou à IstoÉ Dinheiro que, ainda jovem, havia deixado Campina Grande e trabalhado em um quiosque em São Paulo para custear os estudos.
Vendia produtos variados enquanto se preparava para cursar medicina no Recife. “Foi lá que eu aprendi a ser vendedor”, recordou na entrevista.
Depois de formado, voltou à Paraíba para exercer a profissão.

Fundador da empresa CAOA, Carlos Alberto de Oliveira Andrade. (Foto: Divulgação)
Na concessionária, aquela experiência encontrou um mercado maior. Segundo o relato publicado pela revista, Andrade participou diretamente das vendas e ampliou o movimento da loja nos primeiros meses.
Com isso, chamou a atenção da Ford e passou a assumir outras revendas. A CAOA informa que, em menos de seis anos, tornou-se a maior revendedora da marca no Brasil.
Em 1985, chegou a São Paulo.
O significado das quatro letras
Mas, afinal, o que significa CAOA? As letras vêm de Carlos Alberto de Oliveira Andrade. O nome da empresa, no entanto, nem sempre apareceu daquela forma.
Em uma entrevista concedida à Folha em 2007, o fundador explicou: “Eu criei a empresa CA de Oliveira Andrade, mas o pessoal da Renault abreviou para CAOA”. A parceria com a montadora francesa começou em 1992, quando o grupo já tinha uma rede de concessionárias.
A passagem pela Renault também mostra que o crescimento da empresa teve conflitos. O grupo se tornou importador da marca, mas a relação terminou em uma disputa judicial quando a fabricante preparou sua própria operação no país.
Depois vieram outras parcerias: a CAOA assumiu a distribuição da Subaru em 1998 e iniciou sua relação com a Hyundai em 1999.
Aos poucos, o negócio deixou de depender apenas das lojas Ford.
A escolha de Anápolis
Faltava realizar uma ambição que Andrade passou a mencionar publicamente: ter uma montadora. O projeto encontrou lugar em Goiás.
Questionado pela IstoÉ Dinheiro sobre a escolha do estado, o empresário apontou a rapidez das tratativas com o governo e a localização de Anápolis em relação ao mercado consumidor brasileiro.
O grupo instalou a unidade no Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA). A fábrica abriu em 2007 e começou com a produção da caminhoneta Hyundai HR.
Na entrevista concedida naquele ano, Andrade falava em R$ 300 milhões para a primeira fase e na possibilidade de elevar o investimento a R$ 1,2 bilhão com a ampliação do projeto.
Na apresentação atual da unidade, a CAOA informa um investimento de R$ 1,2 bilhão no empreendimento, feito com capital próprio.
Novas fases da produção
A operação trouxe ao município uma atividade diferente da venda de automóveis: fabricar veículos em escala, com linha de montagem, fornecedores e trabalhadores ligados diretamente à produção.
Além disso, a companhia informa que o complexo ocupa uma área total de 1,5 milhão de metros quadrados. Em 2015, inaugurou no local um centro de pesquisa e eficiência energética voltado, entre outras atividades, a testes de veículos e motores.
Ao longo dos anos, a fábrica acompanhou as mudanças nas alianças do grupo. Primeiro, a Hyundai marcou a produção em Anápolis. Depois, em 2017, um acordo com a chinesa Chery criou a CAOA Chery, e modelos da linha Tiggo passaram a sair da unidade goiana.
Mais tarde, em setembro de 2025, a planta alcançou a marca de 500 mil veículos produzidos desde a inauguração, segundo balanço divulgado pela empresa. Esse total reúne a produção de suas diferentes fases.
O tamanho do negócio
O tamanho financeiro do grupo também cresceu. Dados do ranking Valor 1000, divulgados em reportagem reproduzida pelo DatamarNews, apontam receita líquida de R$ 16,8 bilhões em 2024.
Andrade morreu em 2021, aos 77 anos. Segundo a CAOA, ele estava com a saúde debilitada por um tratamento médico; reportagens da época apontaram que se tratava de um câncer. Em dezembro de 2022, seu filho Carlos Alberto de Oliveira Andrade Filho assumiu a presidência do grupo.

CEO da Hyundai ao lado de Carlos Alberto de Oliveira Andrade Filho. (Foto: Reprodução/Airton Cousseau)
Em 2026, veículos da CAOA Changan já saem da unidade de Anápolis. Em setembro, a Folha registrou a chegada ao mercado de um SUV da marca montado na cidade.
Quase meio século depois da negociação daquela primeira concessionária, as iniciais de um médico paraibano seguem na identificação de carros produzidos no interior goiano.
Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!








