Em Goiás, números de Gracinha e Gayer foram digitados mais de 51 mil vezes nas votações para deputado
Sequências usadas pelos senadores eleitos apareceram nas disputas estadual e federal e foram contabilizadas como votos para seus partidos

Os números de Gracinha Caiado (UB) e Gustavo Gayer (PL), eleitos para o Senado por Goiás, foram confirmados 51.430 vezes nas votações para deputado estadual e federal nas eleições de domingo (04).
O dado foi identificado em um levantamento realizado pelo Portal 6 nos Registros Digitais do Voto (RDV) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A apuração analisou os arquivos das 15.686 seções eleitorais dos 246 municípios goianos.
Apesar de as sequências 444 e 222 serem usadas pelos dois na disputa ao Senado, os registros feitos nas telas de deputado foram classificados como votos de legenda. Isso significa que foram contabilizados para o UB e o PL, respectivamente.
A maior quantidade apareceu na eleição para a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). O 444, de Gracinha, foi confirmado 26.735 vezes, enquanto o 222, de Gayer, apareceu em 17.301 registros. Juntos, os dois números somaram 44.036 votos de legenda na disputa estadual.
Para a Câmara dos Deputados, a ordem se inverteu. O número de Gayer teve 4.135 registros, e o de Gracinha, 3.259, totalizando 7.394 votos de legenda na eleição federal.
Essas escolhas não foram acrescentadas à votação dos dois para o Senado. Gayer conquistou sua cadeira com 1.639.247 votos válidos, enquanto Gracinha foi eleita com 1.458.522.
Números dos 11 candidatos ao Senado somaram 97 mil registros
O levantamento também identificou sequências usadas pelos demais concorrentes ao Senado nas votações para deputado. Considerando os 11 candidatos, foram 97.482 votos de legenda, sendo 83.733 para estadual e 13.749 para federal.
O 155, de Zacharias Calil (MDB), apareceu em 10.374 registros na disputa estadual e 2.408 na federal. Já o 400, de Isaura Lemos (PSB), foi confirmado 9.253 vezes para estadual e 809 para federal.
O número 555, de Vanderlan Cardoso (PSD), somou 6.969 registros para estadual e 1.282 para federal. O 251, de Gustavo Mendanha (PRD), teve 5.368 e 715, respectivamente.
A contabilização para os partidos ocorre porque os dois primeiros dígitos identificam a legenda. Nas eleições para deputado, quando esses dígitos correspondem a um partido que participa da disputa e a sequência não identifica um candidato apto ou está incompleta, o voto pode ser destinado à legenda.
Assim, o 444 foi contabilizado para o UB, identificado pelo 44, e o 222, para o PL, de número 22. Esses votos integram a votação partidária considerada na distribuição das cadeiras.
Os arquivos mostram quais números foram confirmados em cada cargo, mas não esclarecem se os eleitores confundiram a votação ou escolheram votar na legenda. Em ambos os casos, esses registros foram contabilizados para os partidos, sem aumentar a votação de Gracinha e Gayer para o Senado.
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