Salário mínimo previsto em R$ 1.741 para 2027: veja quanto sobraria no bolso do trabalhador depois de comprar a cesta básica

Uma conta com preços atuais mostra quanto apenas a alimentação já comprometeria da renda mensal, antes mesmo de entrarem moradia, transporte e outras despesas

Leticia Teixeira Leticia Teixeira -
13º salário
(Foto: Reprodução/José Cruz/Agência Brasil/Arquivo)

O salário mínimo projetado para 2027 já permite fazer uma conta que ajuda a mostrar quanto a alimentação pode pesar no orçamento do trabalhador.

O Projeto de Lei Orçamentária apresentado pelo Governo Federal prevê um piso de R$ 1.741, valor R$ 120 superior aos atuais R$ 1.621.

Mas quanto sobraria depois de comprar uma cesta básica?

A resposta muda bastante de uma região para outra. Dependendo da capital utilizada na comparação, poderiam restar de cerca de R$ 840 a mais de R$ 1,1 mil, considerando os preços atuais dos alimentos.

Quanto sobraria depois da cesta básica?

A Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Dieese em parceria com a Conab, acompanha os preços nas 27 capitais brasileiras.

Em agosto de 2026, São Paulo tinha a cesta mais cara do país, com custo de R$ 900,59.

Se esse mesmo valor fosse mantido em 2027 e o salário mínimo chegasse aos R$ 1.741 previstos, sobrariam R$ 840,41.

Em outras regiões, o resultado seria diferente.

Estado Capital pesquisada Cesta básica Quanto sobraria de R$ 1.741
São Paulo São Paulo R$ 900,59 R$ 840,41
Rio de Janeiro Rio de Janeiro R$ 851,19 R$ 889,81
Goiás Goiânia R$ 772,90 R$ 968,10
Pernambuco Recife R$ 643,02 R$ 1.097,98
Sergipe Aracaju R$ 570,98 R$ 1.170,02

Em algumas capitais, quase metade do salário iria para alimentação

A diferença fica ainda mais clara quando se compara o peso da cesta sobre o piso projetado.

Em São Paulo, os R$ 900,59 equivaleriam a pouco mais da metade dos R$ 1.741.

Já em Aracaju, onde a cesta custava R$ 570,98 no mesmo levantamento, restariam aproximadamente R$ 1.170 depois da compra dos alimentos.

Na prática: o mesmo salário mínimo pode ter um poder de compra bem diferente dependendo de onde o trabalhador mora e do preço dos alimentos naquela região.

E ainda existem todas as outras contas do mês

A cesta básica representa apenas uma parte das despesas de uma família.

Depois da alimentação, ainda entram gastos como:

  • aluguel ou prestação da casa;
  • energia elétrica;
  • água;
  • gás de cozinha;
  • transporte;
  • medicamentos;
  • internet;
  • produtos de higiene e limpeza.

É justamente por isso que o Dieese calcula mensalmente o chamado salário mínimo necessário para uma família de quatro pessoas.

Em agosto de 2026, a entidade estimou esse valor em R$ 7.565,86, equivalente a 4,67 vezes o salário mínimo vigente naquele mês.

Os R$ 1.741 ainda são uma previsão para 2027

O Projeto de Lei Orçamentária de 2027 utiliza R$ 1.741 como estimativa para o novo salário mínimo.

O cálculo apresentado pelo governo considera a inflação projetada pelo INPC e o aumento real previsto pela política de valorização do piso.

Por enquanto, a comparação com os preços atuais da cesta básica ajuda a mostrar quanto a alimentação poderia pesar no orçamento.

Se o piso de R$ 1.741 já estivesse valendo com os preços registrados em agosto, sobrariam cerca de R$ 840 em São Paulo, R$ 968 em Goiânia, quase R$ 1,1 mil em Recife e aproximadamente R$ 1,17 mil em Aracaju depois da compra da cesta básica.

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Leticia Teixeira

Leticia Teixeira

Estudante de Jornalismo e estagiária do Portal 6. É curiosa, apaixonada por comunicação e está sempre em busca de aprender, observar e contar boas histórias.

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