Cidadania e religião – condição e escolha
Aprendi com o cristianismo que é imoral usar a fé — cristã ou qualquer outra — para desumanizar e demonizar quem pensa diferente

Cidadania é condição. Sou brasileiro, anapolino, professor por vocação, com 42 anos de carteira assinada e ainda na ativa.
Cristianismo é escolha. Reconheço-me cristão por uma experiência pessoal e intransferível com a Bíblia e com o amor anunciado no Evangelho de Jesus Cristo.
Evangelho, no singular, é a boa-nova de Jesus.
Minha infância e juventude coincidiram com a triste ditadura militar (1964–1985). Desenvolvi uma consciência histórica e cidadã que rejeita golpes, ditaduras, torturas, violências e discursos de ódio.
Aprendi com o cristianismo que é imoral usar a fé — cristã ou qualquer outra — para desumanizar e demonizar quem pensa diferente.
Fui vereador e propus leis importantes para Anápolis, como a “obrigatoriedade da escovação dental nas escolas públicas municipais”, a “instalação de elevadores eletro-hidráulicos nos ônibus para facilitar o acesso de pessoas com deficiência” e o “combate ao racismo”, entre outros projetos.
Eleito prefeito por um partido de esquerda, formei um secretariado com pessoas de esquerda e de direita. Tínhamos divergências, mas não ódio nem rancor paralisante. Trabalhamos juntos.
Construí oito escolas municipais: Lena Leão, Josephina Simões, Professor Ernst Heeger, Pedro Nunes Moreira, João Beze, Professora Maura Helena, Desembargador Air Borges e Miguel Moreira Braga, atendendo à demanda da primeira fase do Ensino Fundamental.
Arrumei as contas do Instituto de Previdência do Município (ISSA) e lhe dei sede própria. Antes, o Instituto funcionava nos porões do Ginásio Internacional. Terminei a duplicação da Av. Brasil Sul, informatizei os serviços municipais e criei o RÁPIDO, que melhorou significativamente o atendimento aos cidadãos.
Foram quatro anos de trabalho para pagar dívidas, reorganizar as contas e viabilizar administrativamente a Prefeitura. Regularizei a folha de pagamento, que, durante quinze anos, convivera com quatro folhas em atraso, e passei a pagar os salários dentro do próprio mês.
Criei a Escola Viva, que oferecia atividades educativas, serviços e esportes às crianças dos bairros mais carentes. Criei o Projeto Zatopeck, que incentivava a prática esportiva e contribuía para a socialização dos adolescentes. Eles existem até hoje.
Ganhei admiradores e desafetos. Fui acusado de coisas inauditas e precisei me defender. Provei minha inocência em todos os processos.
Orgulho-me de ter sido o prefeito do centenário de Anápolis.
Hoje, não tenho vaidade política eleitoral. Uma das minhas maiores alegrias foi ouvir, anos depois, do então prefeito João Gomes e de muitos servidores honrados e dedicados à cidade que fui digno do cargo que ocupei e deixei uma prefeitura administrativamente preparada para o futuro.
Meu compromisso, agora, é com a cidadania. Meu voto é para quem enfrenta a violência contra a mulher, apoia as políticas de cotas estudantis, combate a fome, investe em pesquisa e universidades, defende o Estado laico e respeita o Estado Democrático de Direito.
Como cristão, defendo uma tributação mais justa, que faça os super-ricos contribuírem proporcionalmente mais, e uma rede de proteção social para os pobres e necessitados. Rejeito o uso de Deus como cabo eleitoral e a transformação da política em uma guerra entre o bem e o mal, que divide famílias, igrejas e o próprio povo.
Eleitor, seu voto não é apenas uma escolha de candidatos. É uma decisão sobre o país que queremos construir e a democracia que precisamos fortalecer.
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