Especialistas em psicologia explicam: “Quem conversa sozinho durante uma tarefa pode não estar distraído, mas tentando organizar melhor a própria atenção”
Hábito comum durante atividades que exigem concentração pode ter uma função importante, mas seus efeitos dependem da maneira como acontece

Conversar sozinho durante uma tarefa pode parecer sinal de distração. Entretanto, pesquisadores da psicologia investigam como esse comportamento pode ajudar algumas pessoas a direcionar a atenção e organizar as próprias ações.
O hábito recebe o nome de self-talk, expressão em inglês que significa falar consigo mesmo. Ele pode acontecer em voz alta ou mentalmente, especialmente durante atividades que exigem concentração.
Um estudo publicado em 2023 na revista científica PLOS ONE analisou os efeitos dessa prática sobre o controle da atenção em situações com interferência de ruídos.
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Os pesquisadores Liu Yang e Yingchun Wang, ligados a universidades chinesas, realizaram dois experimentos para compreender como diferentes formas de diálogo interno influenciam o desempenho.
No primeiro, 36 participantes realizaram um teste de atenção conhecido como Stroop. Os resultados mostraram que a presença de barulho aumentou a quantidade de erros.
Já no segundo experimento, 39 jogadores de basquete participaram de testes que avaliavam a capacidade de controlar respostas automáticas diante de estímulos visuais.
O que a psicologia descobriu sobre conversar sozinho?
Os pesquisadores distinguiram duas formas de self-talk: a instrucional e a motivacional.
Na primeira, a pessoa utiliza orientações para direcionar o próprio comportamento. Frases como “preste atenção no próximo passo” e “observe antes de agir” são exemplos desse tipo de estratégia.
Por outro lado, a modalidade motivacional envolve mensagens de incentivo, como “você consegue” ou “continue tentando”.
Os resultados mostraram que o diálogo instrucional reduziu os erros dos atletas em condições silenciosas.
Entretanto, a estratégia motivacional apresentou um efeito diferente: diante de distrações sonoras, os participantes cometeram mais erros em uma das tarefas de atenção.
Isso significa que conversar consigo mesmo nem sempre melhora o desempenho. Afinal, os efeitos dependem do contexto e da estratégia utilizada.
Além disso, o estudo investigou situações específicas, principalmente entre atletas. Portanto, os resultados não permitem afirmar que falar sozinho aumenta a concentração em qualquer atividade cotidiana.
Ainda assim, a pesquisa ajuda a compreender por que algumas pessoas recorrem a orientações verbais enquanto executam tarefas.
Assim, quem conversa sozinho durante uma atividade não está necessariamente distraído. Em determinadas situações, esse comportamento pode representar uma tentativa de manter o foco e organizar a próxima ação.
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