Megaobra de R$ 20 bilhões vai ligar Goiás ao Nordeste por linha de transmissão de quase 1.500 km
Projeto pretende facilitar o aproveitamento da produção eólica e solar em regiões com limitações na rede

Uma megaobra de R$ 20 bilhões vai conectar Goiás a um corredor de transmissão de energia com aproximadamente 1.500 quilômetros de extensão.
O empreendimento Graça Aranha-Silvânia, ligado à chinesa State Grid, passará por Maranhão, Tocantins e Goiás para ampliar a capacidade de transporte de eletricidade entre diferentes regiões brasileiras.
O Ministério de Minas e Energia (MME) anunciou, em julho deste ano, a antecipação do início da operação de 2030 para março de 2028. A estrutura deverá acrescentar 5 gigawatts (GW) de potência ao Sistema Interligado Nacional (SIN), reforçando a conexão entre as regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.
A linha ligará a Subestação Graça Aranha, no Maranhão, à Subestação Silvânia, em Goiás. O projeto inclui ainda estações conversoras e outros equipamentos necessários para integrar a eletricidade transportada à rede nacional.
Como funcionará a megaobra?
O sistema utilizará corrente contínua de ultra-alta tensão, em ±800 quilovolts (kV). Essa tecnologia permite transportar grandes quantidades de energia por longas distâncias e ajuda a reduzir perdas elétricas durante a transmissão.
Na prática, a estrutura permitirá ampliar o fluxo de eletricidade entre regiões produtoras e centros consumidores.
O empreendimento também prevê conexões com outras instalações estratégicas do sistema elétrico brasileiro.
Aproveitamento da energia renovável
O crescimento da geração eólica e solar aumentou a necessidade de linhas capazes de transportar a eletricidade produzida até os locais onde ela será consumida.
Quando a rede não consegue absorver toda a energia disponível, usinas podem ser obrigadas a reduzir temporariamente a produção. Essa situação é conhecida como curtailment.
Com a ampliação da capacidade de transmissão, a linha Graça Aranha-Silvânia poderá contribuir para reduzir limitações desse tipo e facilitar o aproveitamento da geração renovável.
O resultado, porém, também dependerá das condições operacionais do restante do sistema elétrico.
Grandes instalações em Goiás e no Maranhão
A implantação envolve não apenas a instalação de torres e cabos, mas também a construção de estruturas complexas para converter e integrar a eletricidade à rede nacional.
Na página institucional do projeto GATE, a CET Brazil informa que seu escopo inclui a construção das estações conversoras de Graça Aranha e Silvânia, além dos eletrodos e de estruturas repetidoras ao longo da linha. A empresa também apresenta etapas de obras civis, aquisição de equipamentos e instalação eletromecânica.
A página classifica o projeto como em andamento e prevê duração contratual de 2025 a 2029.
A antecipação anunciada pelo governo para março de 2028 representa uma previsão de início da operação do empreendimento, cuja conclusão depende do avanço das diferentes frentes de trabalho e dos procedimentos técnicos necessários à integração da estrutura ao sistema elétrico brasileiro.
Confira:
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