Conheça a cidade goiana que superou Guarulhos e São José dos Campos e aumentou em R$ 1,1 bilhão as exportações aos EUA

Com cerca de 14.750 habitantes, município registrou crescimento de US$ 225,7 milhões nas vendas ao país

Ícaro Gonçalves Ícaro Gonçalves -
Vista aérea de Mozarlândia
Vista aérea de Mozarlândia (Imagem: Captura de tela/Youtube/ Gabriel Aldost)

Embora as tarifas aplicadas pelo governo dos Estados Unidos contra Brasil desde abril de 2025 tenham gerado retração nas exportações, algumas cidades brasileiras conseguiram trilhar o caminho oposto e expandir os negócios com os norte-americanos.

Esse foi o caso de Mozarlândia, que segundo um estudo da Confederação Nacional de Municípios (CNM), foi o quatro município brasileiro com o maior ganho registrado nas exportações aos EUA.

O levantamento, divulgado nesta segunda-feira (19), compara as vendas feitas entre agosto de 2024 e julho de 2025 com aquelas feitas entre agosto de 2025 e julho de 2026.

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Com cerca de 14.750 habitantes, segundo o Censo de 2022, a cidade goiana registrou um incremento expressivo de US$ 225,7 milhões (cerca de R$ 1,12 bilhão) nas exportações para os Estados Unidos nos últimos 12 meses.

O resultado supera polos industriais paulistas tradicionais como Guarulhos e São José dos Campos.

O motor econômico por trás do resultado é a cadeia de carnes e miudezas comestíveis, impulsionado pela fábrica da JBS na cidade.

A unidade é considerada um dos principais frigoríficos da marca no país, abatendo cerca de 2.600 bois por dia e processando aproximadamente 5.200 carcaças diariamente.

A atividade pecuária e a produção de proteína animal foram fundamentais para impulsionar as vendas externas do município goiano rumo ao mercado norte-americano.

Alerta da CNM frente ao protecionismo

O desempenho de Mozarlândia reflete a realidade de outros municípios goianos. Ao todo, Goiás registrou um crescimento de 30,5% no valor exportado para o país parceiro, saindo de US$ 597 milhões para US$ 779 milhões no último ano.

Apesar de casos de sucesso como o de Goiás, a CNM avalia que o tarifaço gerou prejuízos severos e generalizados, afetando diretamente 1.135 municípios brasileiros que registraram queda ou zeramento das vendas para os EUA.

Para a entidade, as tendências globais de protecionismo e barreiras comerciais exigem que as gestões locais diversifiquem urgentemente os parceiros e reduzam a dependência de um único comprador.

Confira a cronologia das tarifas dos EUA sobre o Brasil

  • Abril de 2025: Trump estabeleceu uma tarifa adicional de 10% sobre produtos brasileiros, com base na lei de emergência econômica dos EUA (IEEPA).
  • Junho de 2025: As tarifas norte-americanas sobre aço e alumínio foram elevadas para 50%, sob a justificativa de segurança nacional.
  • Julho de 2025: Uma sobretaxa de 40% foi imposta a diversos produtos brasileiros, com exceções para determinadas mercadorias.
  • Novembro de 2025: Após negociações entre Trump e Lula, os EUA retiraram a sobretaxa de 40% de produtos como café, carnes e frutas.
  • Fevereiro de 2026: A Suprema Corte dos EUA invalidou o uso da IEEPA para tarifas amplas, derrubando as cobranças de 10% e 40% baseadas nessa lei. As tarifas sobre aço e alumínio foram mantidas. Trump também anunciou uma tarifa global temporária de 10%.
  • 22 de julho de 2026: Entrou em vigor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, associada a uma investigação comercial conduzida com base na Seção 301, com diversas exceções.
  • 24 de julho de 2026: Uma nova alíquota de 12,5% passou a incidir sobre produtos brasileiros, que argumenta a suposta falta de fiscalização sobre mercadorias produzidas com trabalho forçado, coincidindo com o fim da tarifa global temporária de 10%, mas somando-se à tarifa anterior de 25%, totalizando 37,5%.

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Ícaro Gonçalves

Ícaro Gonçalves

Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG).