Com o fim da escala 6×1, bares e restaurantes podem ficar fechados na segunda e na terça

Empresários estudam novas formas de organizar equipes para preservar justamente os dias de maior movimento e evitar novas contratações

Isabella Cavalcante Isabella Cavalcante -
Bares e restaurantes
(Foto: Reprodução/Rovena Rosa/Agência Brasil)

O fim da escala 6×1 pode mudar não apenas a rotina dos trabalhadores, mas também os dias em que parte dos bares e restaurantes abre as portas no Brasil.

Uma das alternativas em discussão no setor consiste em concentrar as duas folgas semanais na segunda e na terça-feira. Dessa forma, alguns estabelecimentos poderiam suspender completamente o atendimento nesses dias e manter toda a equipe disponível entre quarta-feira e domingo.

A possibilidade ganhou repercussão após um vídeo publicado pelo Portal Alencarino no Instagram e uma coluna do Diário do Nordeste.

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Por enquanto, porém, não existe uma decisão nacional obrigando bares ou restaurantes a fechar nesses dois dias.

Segunda e terça podem virar os dias de folga

O Diário do Nordeste ouviu uma fonte do setor de alimentação fora do lar que apontou essa estratégia como uma possível saída.

A lógica é preservar sábado e domingo, quando muitos estabelecimentos registram o maior movimento da semana.

Assim, em vez de contratar funcionários adicionais para cobrir diferentes escalas, o restaurante poderia fechar nos dois dias de menor demanda e conceder descanso simultâneo à equipe.

Entretanto, cada empresa poderá organizar sua operação conforme as regras trabalhistas, acordos coletivos e necessidades do negócio.

A Emenda Constitucional 141 garante dois dias de repouso remunerado por semana. Um deles deverá ocorrer preferencialmente aos domingos. A primeira etapa da mudança entra em vigor em 15 de dezembro de 2026, quando a jornada máxima cai de 44 para 42 horas semanais.

Abrasel prevê menos dias de funcionamento

A preocupação não se limita ao relato de uma fonte.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) afirma que parte dos estabelecimentos pode realmente optar por reduzir os dias de funcionamento.

Segundo o presidente-executivo da entidade, Paulo Solmucci, a mudança pode elevar em cerca de 20% os gastos com pessoal em determinados negócios que desejarem manter a mesma oferta de serviço. A associação também estima reajustes de aproximadamente 7% a 8% nos preços em alguns cenários.

Esses números são projeções da entidade empresarial, e não uma estimativa oficial de quanto todos os restaurantes terão de reajustar.

Além disso, a Abrasel afirma que o setor já enfrenta dificuldade para contratar profissionais. Em levantamento divulgado pela associação, cerca de 500 mil vagas estavam abertas em bares e restaurantes antes mesmo da implantação da nova jornada.

Fechar dois dias não será obrigatório

A mudança constitucional não determina que restaurantes parem de funcionar às segundas e terças.

Estabelecimentos maiores podem montar equipes em escalas diferentes e continuar funcionando durante toda a semana. Outros podem contratar novos trabalhadores, recorrer às modalidades permitidas pela legislação ou reorganizar horários.

Já pequenos negócios podem encontrar outra saída: escolher justamente os dias de menor movimento para manter as portas fechadas.

Por isso, a segunda e a terça-feira aparecem como uma possibilidade especialmente para casas que concentram grande parte do faturamento entre sexta-feira e domingo.

A partir de dezembro, o consumidor poderá começar a perceber essas mudanças na prática. No entanto, o impacto deverá variar bastante de um estabelecimento para outro.

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Isabella Cavalcante

Isabella Cavalcante

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária do Portal 6. Atua na equipe desde agosto de 2026.

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