Entenda como funcionário da Caixa conseguiu desviar quase R$ 2 milhões de clientes em Goiás

Investigação revela como o acesso aos sistemas bancários teria permitido movimentar economias de clientes, principalmente idosos, sem autorização

Posto de atendimento da Caixa Econômica Federal em Santa Fé de Goiás, onde funcionário é investigado por suspeita de desviar dinheiro de clientes. (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Posto de atendimento da Caixa Econômica Federal em Santa Fé de Goiás, onde funcionário é investigado por suspeita de desviar dinheiro de clientes. (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Um funcionário concursado da Caixa Econômica Federal é investigado por suspeita de desviar quase R$ 2 milhões de pelo menos sete clientes em Santa Fé de Goiás, no oeste do estado.

Segundo a Polícia Civil (PC), o empregado teria utilizado o próprio acesso aos sistemas do banco para movimentar dinheiro sem autorização dos correntistas.

As irregularidades teriam ocorrido entre dezembro de 2025 e julho de 2026. A maioria das vítimas é formada por idosos que mantinham suas economias no posto de atendimento onde o investigado trabalhava.

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De acordo com informações divulgadas pela TV Anhanguera e pelo g1 Goiás, uma aposentada de 82 anos teve prejuízo superior a R$ 700 mil.

Conforme explicou o delegado Luiz Antônio de Jesus Santos, o funcionário utilizava as credenciais de acesso fornecidas pela Caixa para realizar operações nas contas dos clientes.

Em vez de transferir os valores diretamente para si, ele teria movimentado o dinheiro entre contas de outras vítimas e de familiares delas, com o objetivo de dificultar o rastreamento.

Somente depois dessas operações os recursos chegavam à conta corrente do próprio investigado.

O delegado explicou à TV Anhanguera que o funcionário aproveitava as permissões bancárias para realizar saques e transferências, utilizando diferentes contas para tentar esconder o destino final do dinheiro.

As investigações também apontam que o suspeito mantinha relações próximas com alguns correntistas, chegando a frequentar suas residências e prestar favores pessoais.

Idosas relatam prejuízos

Uma das vítimas, de 82 anos, contou à TV Anhanguera que confiava no funcionário, que chegou a acompanhá-la em viagens para tratamentos médicos em Goiânia e Jussara.

Outra aposentada, de 73 anos, afirmou ter perdido mais de R$ 70 mil. Segundo ela, a falta do dinheiro comprometeu o pagamento de despesas de saúde e deslocamentos para consultas.

“Eu nunca pensava que ele ia fazer isso. Ele mostrava ser uma pessoa tão boa”, lamentou.

Após as denúncias, as vítimas procuraram a PC, que iniciou a apuração das movimentações suspeitas.

Como o caso envolve uma instituição financeira federal, os procedimentos foram encaminhados à Polícia Federal (PF), responsável pela continuidade das investigações.

A Caixa informou à imprensa que abriu um processo disciplinar e afastou o funcionário de suas atividades enquanto apura as suspeitas.

O banco também declarou que colabora com as autoridades, monitora movimentações financeiras para identificar possíveis fraudes e encaminhará informações sobre o caso à PF.

O nome do investigado não foi divulgado pelas autoridades. Até o momento, não há conclusão pública sobre as responsabilidades criminais nem informação confirmada sobre a restituição dos valores às vítimas.

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Lara Duarte

Lara Duarte

Jornalista e pós-graduanda em Ciência Política, com atuação em jornal impresso, assessoria de comunicação e produção, reunindo experiência em diferentes frentes da comunicação.