Vítima de vazamento de fotos íntimas em Iporá diz que empresário confessou caso e tentou comprar seu silêncio
Relatos de vítimas revelam novos detalhes sobre a origem das imagens e uma suposta tentativa de impedir que o caso ganhasse repercussão

Uma das cinco mulheres que denunciaram o vazamento de fotos íntimas após deixarem celulares em estabelecimentos comerciais de Iporá, no oeste de Goiás, afirmou que um empresário teria confessado sua participação no caso e oferecido dinheiro para evitar novas denúncias.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Aiuc Araújo relatou que a suposta confissão aconteceu durante uma reunião no escritório de seu advogado.
Segundo ela, o comerciante teria reconhecido que os arquivos foram retirados de aparelhos de clientes sem autorização.
“Ele confessou pra mim, juntamente com meu advogado, lá no escritório do meu advogado, que tinha sim feito, que tinha sim partido da loja dele”, declarou.
A jovem também afirmou que o empresário teria indicado outra pessoa que estaria com o aparelho utilizado para armazenar os arquivos.
Outro ponto levantado por Aiuc envolve uma suposta tentativa de acordo para impedir que a situação continuasse repercutindo.
Ela afirmou que, durante a conversa no escritório de advocacia, o empresário teria chorado e oferecido dinheiro a ela e às outras mulheres.
“Queria pagar eu e as meninas envolvidas pra poder fazer silêncio e abafar o caso”, denunciou.
A jovem também relatou que ouviu do comerciante a afirmação de que outras lojas adotariam práticas semelhantes de armazenamento de dados dos clientes.
No vídeo, Aiuc incentivou possíveis vítimas a procurarem as autoridades e buscarem seus direitos.
Como as imagens teriam sido vazadas?
Conforme o relato de Aiuc, o caso começou quando ela decidiu trocar de celular em uma loja da cidade.
Para realizar a transferência de dados, a jovem entregou o aparelho antigo e forneceu as senhas ao responsável pelo atendimento.
Segundo ela, os arquivos de diferentes clientes teriam sido copiados para um celular mantido no estabelecimento.
Esse aparelho, ainda conforme a denúncia, teria sido enviado por engano para outra loja da cidade. A partir daí, as imagens teriam começado a circular em grupos de mensagens.
Izadora Leite foi a primeira vítima a denunciar o vazamento
A denúncia ganhou repercussão após a influenciadora digital Izadora Leite relatar nas redes sociais que uma amiga a avisou sobre a circulação de uma fotografia íntima sua.
Em vídeo publicado em sua rede social, Izadora contou que inicialmente acreditou que a imagem pudesse ter sido produzida por inteligência artificial.
“Eu falei: ‘Amiga, é mentira, é impossível. Jamais mandaria foto para ninguém, é IA’”, recordou.
Segundo Izadora, os arquivos teriam sido obtidos durante a transferência de dados de seu celular antigo para um novo aparelho, procedimento realizado em um estabelecimento comercial.
Ela contou que entregou o telefone e forneceu as senhas necessárias, confiando que o serviço seria executado sem acesso indevido às informações pessoais.
A influenciadora explicou que continuou sua rotina normalmente após a troca de aparelho, até descobrir, na última semana, que o conteúdo estava sendo compartilhado.
Izadora também disse que procurou assistência jurídica e que a defesa já teria reunido elementos para identificar os responsáveis.
“Nós já temos todas as provas, nós já sabemos tudo, e nós não vamos deixar barato”, declarou.
Influenciadora faz alerta
A influenciadora alertou para os riscos de entregar aparelhos e senhas a terceiros durante serviços de manutenção ou transferência de dados.
Izadora afirmou ainda que a defesa acompanha a circulação das imagens e pretende adotar providências contra pessoas que continuarem divulgando o material.
“Tomem cuidado com a propagação deste conteúdo, que nós estamos a ir atrás de todos que estão a propagar, porque propagação também é crime”, declarou.
Depois que a influenciadora disse que tornou a situação pública com o intuito de que outras mulheres procurem a polícia para denunciar episódios semelhantes.
Até o momento, pelo menos cinco vítimas foram identificadas. A defesa não descarta a possibilidade de surgirem novos relatos.
O que dizem as empresas e a polícia?
As duas lojas citadas nas denúncias negaram envolvimento no vazamento em manifestações divulgadas anteriormente pela imprensa.
Uma delas informou que o caso estava sob análise. A outra repudiou as acusações e defendeu que a investigação seja conduzida com base em provas e evidências.
A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Iporá investiga as denúncias.
O advogado Victor Hugo Neves Silva, integrante da equipe jurídica que representa as jovens, já havia informado ao g1 Goiás que o escritório busca responsabilizar pessoas que continuam compartilhando os conteúdos.
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