Adolescente prodígio de 16 anos inventa extintor sem água que apaga fogo com som e ganha ouro internacional

Uma estudante mexicana transformou uma experiência escolar em um projeto capaz de levá-la a uma das principais competições estudantis de ciência e tecnologia da Indonésia

Estudante mexicana de 16 anos ganha prêmio após invenção inovadora
(Imagem: Reprodução/@vocesabia/Instagram)

Aos 16 anos, Ángela Karime Venegas Hernández já acumulava meses de testes, protótipos descartados e competições científicas. O trabalho começou dentro de uma escola técnica mexicana e terminou reconhecido a milhares de quilômetros de casa.

O que chamou atenção dos jurados foi uma maneira incomum de combater pequenas chamas sem utilizar água, espuma ou pó químico. Para chegar ao resultado, a adolescente precisou transformar uma curiosidade em um equipamento funcional.

Quem é a adolescente por trás do projeto?

Ángela é estudante da especialidade de eletrônica no CETis 78, em Altamira, no estado mexicano de Tamaulipas.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

O projeto começou a ganhar forma em 2025, quando ela participou de competições locais de ciência e tecnologia.

Com orientação do professor José Arturo Hernández Muñoz, seu tio e orientador, a jovem passou aproximadamente um ano desenvolvendo e aperfeiçoando o equipamento.

Ao longo desse período, foram produzidas diferentes versões até chegar ao protótipo apresentado internacionalmente.

Ideia surgiu após adolescente conhecer experimento parecido

A inspiração apareceu depois que Ángela viu um vídeo sobre pesquisas que utilizavam ondas acústicas para interferir no comportamento das chamas.

A estudante decidiu descobrir se seria possível reproduzir o princípio em um equipamento portátil.

Segundo relatos sobre o desenvolvimento, o primeiro objetivo era relativamente simples: conseguir apagar a chama de uma vela usando apenas ondas sonoras.

Depois de sucessivos testes, o projeto evoluiu para o Vortex Tech.

Como o extintor criado por Ángela funciona?

O equipamento utiliza uma bateria de 12 volts, um gerador de frequências, amplificador, alto-falante e uma estrutura que direciona o ar.

O sistema trabalha com ondas sonoras de baixa frequência, próximas de 30 hertz. Essas ondas provocam pulsações e turbulências no ar ao redor da chama. Com isso, o fluxo que sustenta a combustão é perturbado e pequenas chamas podem ser apagadas.

Na prática, portanto, não é o “barulho” simplesmente que elimina o fogo, mas o movimento do ar criado pelas ondas acústicas.

Um ano de trabalho até chegar à Indonésia

A trajetória da estudante começou em competições de inovação no próprio estado.

Em 2025, seu sistema de supressão de incêndios por ondas acústicas ficou em primeiro lugar na categoria de ensino médio de uma competição estadual de criatividade e inovação tecnológica.

O desempenho abriu caminho para etapas seguintes e, posteriormente, para a participação internacional e, em outubro de 2026, Ángela viajou à Indonésia para representar o México na International Science and Invention Fair.

Medalha de ouro veio contra projetos de vários países

Na competição, o Vortex Tech conquistou medalha de ouro na categoria Tecnologia.

A estudante também recebeu o reconhecimento especial IYSA Semi Grand Award, que garantiu participação em outro encontro científico organizado na Indonésia.

A conquista chegou até o governo mexicano, e Ángela foi publicamente reconhecida por autoridades educacionais do país.

Para uma aluna que ainda cursa o ensino técnico, o prêmio transformou um projeto escolar em uma vitrine internacional.

Tecnologia ainda é experimental

Apesar do resultado, o equipamento não deve ser tratado como substituto dos extintores tradicionais. Os testes realizados até agora estão concentrados principalmente em focos pequenos e controlados.

O desempenho pode variar conforme distância, intensidade das ondas, tipo de combustível e tamanho do incêndio. Por isso, o projeto ainda precisa de avaliações e aperfeiçoamentos antes de qualquer aplicação ampla em situações reais de emergência.

O próximo passo da jovem cientista

Ángela pretende continuar desenvolvendo a ideia e estudar maneiras de automatizar o sistema.

Uma das possibilidades avaliadas é combinar sensores capazes de detectar um princípio de incêndio com a ativação automática das ondas acústicas.

A adolescente também considera seguir carreira em engenharia, especialmente nas áreas de eletrônica ou mecatrônica.

A história de Ángela mostra como um experimento aparentemente simples pode crescer quando recebe tempo, orientação e espaço para errar até funcionar.

Rebeca Ferreira

Rebeca Ferreira

Estudante de Publicidade e Propaganda na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária do Portal 6. Atua na equipe desde setembro de 2026.