Conheça a cidade goiana cujo nome significa saudação à luz e foi escolhido com influência de um jornalista
Nascido de uma fazenda no início dos anos 1940, o pequeno povoado mudou de nome duas vezes antes de ganhar uma denominação criada em um momento decisivo de sua transformação em distrito

Um pequeno núcleo agrícola começou a surgir no Sul de Goiás em 1941, impulsionado pela fertilidade das terras e pela iniciativa de moradores que pretendiam formar um novo povoado. Em poucos anos, o lugar passou por dois nomes diferentes antes de receber a denominação que conserva até hoje.
A mudança definitiva aconteceu em 1948, justamente quando o povoado se tornou distrito. Registros históricos produzidos poucos anos depois atribuem papel importante nessa escolha a um jornalista que comandava um periódico regional e teria dado ao novo nome o significado de “saudação à luz”.
A cidade é Aloândia, município que atualmente tem pouco menos de 2 mil habitantes. Sua origem está relacionada à Fazenda São João e à iniciativa de Manoel Rodrigues da Silva.
As primeiras construções começaram em 8 de novembro de 1941, com destaque para Atanázio Ferreira da Cunha, apontado nos documentos históricos como um dos principais responsáveis pela formação do núcleo urbano.

Primeira casa do povoado de São João. (Foto: Reprodução/Paulo Castilho/Goiânia)
Por causa da fazenda, o primeiro nome foi São João. Posteriormente, Atanázio incentivou a mudança para Itambé, palavra de origem tupi associada a “despenhadeiro”, numa referência às quedas d’água existentes entre as serras da região.
Jornal de 1946 ainda registrava o nome Itambé

Turbina que ficava na antiga usina de energia elétrica do Itambé. (Foto: Reprodução/ Paulo Castilho)
Um documento da época ajuda a confirmar essa etapa da história. Em uma edição de O Buriti, publicada em 1946, anúncios comerciais identificavam estabelecimentos como localizados em “Itambé”, Estado de Goiás”.
O mesmo jornal circulava a partir de Buriti Alegre e tinha sua correspondência direcionada a J. G. Chaves. Outros periódicos da década de 1950 também identificam João G. Chaves como integrante da redação de O Buriti.
Isso comprova a ligação do jornalista com o periódico e mostra que Itambé ainda era usado pouco antes da mudança oficial.
João G. Chaves teria influenciado o nome Aloândia
A transformação veio em 11 de novembro de 1948, quando a Lei Municipal nº 7, de Pontalina, criou o distrito de Aloândia.
Um registro histórico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estátistica (IBGE) afirma que a nova denominação foi adotada por influência do jornalista João G. Chaves, então ligado a O Buriti. Segundo esse mesmo relato, era ele quem atribuía ao topônimo o significado de “saudação à luz”.
A informação aparece também na Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, publicada pelo IBGE em 1958, apenas cinco anos depois da emancipação da cidade.
Não foi localizada, entretanto, uma carta ou edição de 1948 de O Buriti na qual Chaves apresente pessoalmente a sugestão. Por isso, sua participação é sustentada principalmente por esses registros históricos posteriores.
Aloândia permaneceu como distrito de Pontalina até 17 de junho de 1953, quando a Lei Estadual nº 732 criou oficialmente o município.
A instalação ocorreu em 1º de janeiro de 1954. A lei estadual preservou o nome que havia sido adotado cinco anos antes, consolidando Aloândia no mapa goiano.
Moradores ajudam a preservar essa memória
A história não ficou restrita aos documentos públicos. A própria prefeitura mantém atualmente uma galeria de fotografias antigas da cidade, preservando imagens de ruas, casas e espaços comunitários de outras décadas.
Em um relato pessoal publicado por Paulo Castilho, que viveu em Aloândia, ele recupera lembranças da infância e pede que familiares dos fundadores e moradores compartilhem fotografias e histórias antigas para evitar que esse material desapareça.
Esse tipo de testemunho não substitui documentos históricos, mas mostra como a memória da formação da cidade continua circulando entre seus moradores.
De São João a Itambé e, finalmente, Aloândia, as três denominações ajudam a contar como um pequeno núcleo agrícola acabou ganhando um nome que até hoje é interpretado como uma “saudação à luz”.

Rua Oito, em Aloândia. (Foto: Reprodução/IBGE)
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